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Publicada em 01 de Setembro de 2026 às 18:09
A retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos em torno das tarifas impostas aos produtos brasileiros é um sinal positivo, ainda que o encontro entre os dois governos não tenha produzido, de imediato, uma solução para o impasse. Nas relações internacionais, manter os canais de diálogo abertos é tão importante quanto defender com firmeza os interesses nacionais.
Na reunião virtual de segunda-feira, os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa deixaram clara a posição brasileira ao contestar o que consideram tratamento injusto e discriminatório por parte de Washington. Ao mesmo tempo, o Brasil reafirmou estar disposto a negociar. É uma postura necessária diante de uma medida que já produz efeitos concretos sobre as empresas brasileiras.
De janeiro a julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2%, para US$ 20,95 bilhões. A queda representa cerca de US$ 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros sete meses do ano, a balança comercial com os norte-americanos registrou déficit de US$ 2,27 bilhões.
Isso não significa, porém, que o comércio exterior brasileiro esteja perdendo força. As exportações totais cresceram 10,5% no período, alcançando US$ 218,55 bilhões. O resultado reforça a importância de buscar novos mercados. Quanto maior a diversidade de destinos, menor a vulnerabilidade do país diante de decisões tomadas de forma unilateral.
Nesse processo, também é fundamental que o governo ampare as empresas atingidas. A prorrogação por um ano do prazo para determinadas obrigações do drawback dá fôlego aos exportadores para se adaptarem às novas condições, buscarem compradores em outros mercados e reorganizarem sua produção. É uma medida importante para preservar empregos, investimentos e capacidade produtiva.
O Brasil já recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) e avalia instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade. São caminhos legítimos, mas a prioridade deve ser evitar que uma disputa comercial se transforme em uma guerra prolongada de tarifas.
A defesa dos interesses brasileiros precisa caminhar junto com a disposição para negociar. O melhor resultado será aquele que preservar o acesso ao mercado norte-americano sem abrir mão da soberania e, ao mesmo tempo, estimular a diversificação das exportações. Em um ambiente de incertezas, ampliar parceiros e manter o diálogo são medidas que se complementam.