Celebrado ao longo de todo o mês de junho e tendo como marco principal o dia 5, quando é lembrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Junho Verde propõe a reflexão sobre temas como desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A campanha, criada para estimular ações de conscientização e incentivar práticas sustentáveis, ganha ainda maior relevância em um período marcado pelo avanço das mudanças climáticas e por eventos extremos cada vez mais frequentes em diferentes regiões do planeta.
Dados divulgados recentemente pelo MapBiomas mostram que o Brasil registrou redução no desmatamento em 2025. Apesar do recuo, a área média devastada no País foi de 2.698 hectares por dia naquele ano. Os biomas mais afetados foram o Cerrado e a Amazônia, que, juntos, responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no período. Os números comprovam que ainda há grandes desafios para conter a degradação ambiental e preservar a biodiversidade.
Os efeitos desse cenário são vistos na alteração do regime de chuvas, em secas prolongadas, ondas de calor e enchentes cada vez mais severas – episódios que impactam diretamente a agricultura, o abastecimento de água e a economia. No Rio Grande do Sul, a enchente histórica de 2024 serve de alerta para os custos da falta de planejamento ambiental e urbano. A impermeabilização excessiva das cidades, a ocupação irregular de áreas de risco e a destruição das margens de rios agravam os prejuízos, não só econômicos, mas humanos.
Para mitigar esses impactos, é importante a adoção de medidas como a proteção de matas ciliares, que ajuda a reduzir enchentes e o assoreamento dos rios. Já a preservação de nascentes garante a segurança hídrica, enquanto a manutenção de áreas verdes contribui para amenizar as temperaturas extremas. Para um Estado e um País com forte dependência do agronegócio, a estabilidade climática proporciona também segurança produtiva, geração de renda e competitividade.
O Junho Verde deve, portanto, servir como estímulo para políticas públicas permanentes, fiscalização eficiente, educação ambiental e planejamento de longo prazo. As tragédias climáticas recentes demonstram que ignorar a questão ambiental tem um preço alto para a sociedade. Preservar o meio ambiente não significa impedir o desenvolvimento, mas garantir que ele seja sustentável e capaz de assegurar melhores condições de vida para as próximas gerações.