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Publicada em 12 de Fevereiro de 2026 às 18:23

Bolsa brasileira surfa onda dos emergentes

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O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, iniciou 2026 do mesmo modo como encerrou 2025: em pleno avanço. No ano passado, a B3 foi marcada por uma valorização de 33,95% e um total de 32 recordes de fechamento. Neste ano, acumula uma alta de cerca de 13% e já conta com 9 recordes no encerramento das negociações. A guinada recente da Bolsa tem sido impulsionada pela entrada de capital estrangeiro no País. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, o volume aportado por investidores de fora na B3 em janeiro deste ano superou a soma total do ano de 2025. Foram 26,31 bilhões de aportes estrangeiros no mês passado contra R$ 25,47 bilhões no acumulado de 2025. Segundo especialistas, essa onda favorável ao mercado brasileiro resulta da combinação de diferentes fatores, como a busca dos investidores por reduzir a exposição aos Estados Unidos, em meio a sucessivas tensões geopolíticas, o enfraquecimento global do dólar e os preços ainda considerados atrativos das ações no Brasil. Esse contexto tem beneficiado não apenas a bolsa brasileira, mas também outros mercados emergentes, como os do Chile, da Colômbia e do México.Para os próximos meses, a perspectiva segue positiva para o Ibovespa, especialmente com a indicação de que o Banco Central começará a reduzir os juros na próxima reunião do Copom, em março. Apesar do cenário favorável, a trajetória da Bolsa não deve ocorrer de forma linear. O mercado de ações é naturalmente marcado por oscilações e, neste ano, a volatilidade tende a se intensificar a partir do segundo semestre, com a aproximação das eleições presidenciais. Levantamento realizado pelo site Monitor do Mercado revela que, tradicionalmente, o Ibovespa cai seis meses antes de eleições presidenciais no Brasil e sobe seis meses depois da posse.Outro fator de atenção é o cenário fiscal. Dados do Tesouro Nacional indicam que a dívida pública federal encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, alta de 18% em relação a 2024, com projeções de que possa superar R$ 10 trilhões em 2026. O quadro fiscal costuma gerar cautela entre investidores, especialmente em anos eleitorais, quando aumentam as chances de medidas de apelo popular. Ainda assim, o panorama atual é positivo. A maior parte das corretoras mantém projeções otimistas para o Ibovespa em 2026, com preço-alvo em torno de 185 mil pontos. Resta acompanhar de que forma os ventos externos e internos conduzirão a bolsa brasileira.

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