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Publicada em 11 de Fevereiro de 2026 às 19:00

O desafio do setor moveleiro

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A indústria moveleira do Rio Grande do Sul figura entre os setores industriais mais relevantes do Estado, com milhares de empresas distribuídas principalmente na Serra Gaúcha e faturamentos que alcançaram mais de R$ 6,1 bilhões no primeiro semestre de 2024. Mesmo ainda demonstrando força, o desempenho recente oscila e suscita dúvidas legítimas quanto ao futuro: enquanto vendas e receitas são movidas por cifras robustas, aspectos como geração de empregos e competitividade enfrentam limitações. Um dos principais entraves é a falta de mão de obra qualificada, que já se estende por boa parte da indústria gaúcha e afeta diretamente o setor moveleiro. Pesquisas do Sistema FIERGS apontam que 85,5 % das indústrias no Rio Grande do Sul relatam dificuldades para encontrar trabalhadores com qualificação adequada, especialmente para funções de produção e operação técnica.Essa carência limita a capacidade de produção e a eficiência, pressionando empresas a adotarem programas internos de capacitação e políticas de retenção, sem, contudo, resolver plenamente o problema. Não é um problema exclusivo da indústria, mas neste setor representa um desafio ainda mais significativo por conta das necessidades específicas das plantas industriais.No polo moveleiro de Bento Gonçalves, por exemplo, a falta de profissionais qualificados foi um dos fatores que preocupam os representantes do setor, por conta de quedas recentes no total de empregos formais, apesar de um crescimento no faturamento e nas exportações. Argumentam que há muitas vagas em aberto, e que parte da resposta está em parcerias com instituições de formação, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para qualificar novas gerações de trabalhadores.Esses desafios estão atrelados a um fenômeno demográfico mais amplo, que afeta as perspectivas de toda a economia do Rio Grande do Sul: o envelhecimento populacional. Dados do Censo (QUAl????) mostram que o Estado já tem indicadores de envelhecimento entre os mais altos do Brasil, com mais idosos (60 anos ou mais) do que crianças em várias localidades — um reflexo de baixa taxa de natalidade e de migração de jovens. A projeção é que a proporção de idosos continue a crescer nas próximas décadas, com impactos diretos sobre a disponibilidade de força de trabalho jovem no mercado. Esse quadro demográfico reduz a oferta de trabalhadores em idade ativa e aumenta a competitividade por talentos entre setores econômicos, pressionando empresas a ajustar suas estratégias de recrutamento e retenção. Ao mesmo tempo, impulsiona a discussão sobre políticas públicas que incentivem formação técnica e a atração de jovens para atividades industriais. É fundamental que as empresas adaptem-se à nova realidade do mercado de trabalho. Para a indústria moveleira gaúcha, a interseção entre a escassez de mão de obra e envelhecimento populacional representa um teste de adaptação. Seja por meio de automação, formação profissional ou atração de talentos de outras regiões ou países, as empresas precisam ajustar seus modelos produtivos para manter a competitividade e preservar empregos. O resultado seria manter a capacidade de sustentar a importância histórica do setor na economia do Estado.

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