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Publicada em 02 de Fevereiro de 2026 às 18:28

Crescimento econômico para além dos números

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O Boletim de Conjuntura divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em janeiro projeta um 2026 de boas notícias para o Rio Grande do Sul. O prognóstico aponta que enquanto o Brasil deverá crescer em torno de 1,6% a 1,8%, o Estado tende a apresentar desempenho acima da média nacional, impulsionado por uma recuperação consistente do setor agropecuário, em especial da produção de grãos. Depois de vários anos de estiagem, a previsão é que a produção do campo gaúcho volte a gerar os resultados satisfatórios, o que deve trazer benefícios para toda a economia local.Este avanço, mesmo que concentrado em um setor, tem um valor muito simbólico. Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história recente com as enchentes. Foi preciso reconstruir cidades, refazer a infraestrutura e, mais do que isso, a confiança de milhares de empreendedores. Superar essa realidade com indicadores positivos é, por si só, um feito que merece reconhecimento.Contudo, os números não refletem todo o contexto que é preciso ponderar quando se pensa em crescimento econômico sustentado. Para manter o desempenho no médio e longo prazo, é necessário encarar algumas questões estruturais que condicionalm o nosso potencial. Um dos gargalos mais evidentes é a o da própria irrigação. O setor primário do Rio Grande do Sul, mesmo com alta absorção de tecnologia, continua excessivamente vulnerável às variações climáticas. É fundamental que políticas públicas e investimentos privados avancem para garantir segurança hídrica e previsibilidade na produção.Outro desafio central é a continuidade da atração de investimentos. Embora tenhamos setores fortes e mão de obra qualificada, ainda precisamos melhorar o ambiente de negócios para que o Estado persista no desempenho dos últimos anos, retratado nas edições do Anuário de Investimentos do Jornal do Comércio. Questões como segurança jurídica, simplificação tributária e agilidade nos licenciamentos são decisivas para colocar o Estado no radar de quem quer empreender.Por fim, a inovação — campo em que o Rio Grande do Sul já é referência nacional — precisa ser mais do que uma vitrine. É preciso que os ecossistemas de inovação estejam conectados às cadeias produtivas, gerando impacto real em competitividade, produtividade e diversificação econômica, o que resultará em novos investimentos.O crescimento projetado para 2026 deve ser comemorado, mas também precisa ser compreendido como um ponto de partida. Porque os números impressionam — mas o que garante o futuro é o que é feito com eles

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