Setembro é o mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos no Brasil. A campanha Setembro Verde tem como objetivo incentivar esse gesto de solidariedade tão importante diante do número de pessoas que estão na fila de espera por um transplante: segundo dados do Ministério da Saúde, até o dia 1º de setembro, 47.008 brasileiros, dentre eles 1.775 gaúchos, aguardavam um órgão.
Neste ano, já foram realizados 6.430 transplantes no Brasil. O País é líder mundial neste tipo de cirurgia realizada por um sistema público de saúde. Apesar dos avanços do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), a realidade é que a falta de doadores ainda é um obstáculo para que mais pessoas consigam receber um órgão e resolver problemas de saúde que afetam a qualidade de vida e trazem o risco de morte.
Um único doador pode ajudar até dez pessoas com o transplante de coração, pulmões, fígado, rins, pâncreas e tecidos como córneas, pele e ossos. Mesmo que a pessoa tenha expressado em vida o desejo de ser doador, inclusive com registro na Carteira de Identidade (RG) ou via Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), a retirada dos órgãos só ocorre com a autorização familiar.
Muitas vezes, a negativa da família no momento da perda representa o fim das chances de um paciente. Dessa forma, as campanhas de conscientização são importantes porque, ao informar sobre todos os passos que envolvem a doação de órgãos, contribuem para derrubar mitos, medos e a desconfiança sobre o tema.
Ao mesmo tempo, cabe ao poder público fortalecer políticas de saúde que garantam equipes capacitadas e hospitais preparados para a realização de transplantes com eficiência. A logística deve ser feita de forma que ofereça segurança, desde a retirada dos órgãos, passando pelo transporte e finalizando com o transplante. Não basta ampliar o número de doadores se o sistema não for capaz de transformar a iniciativa em procedimentos efetivos. O poder público tem o dever de assegurar que cada oportunidade de salvar vidas não seja desperdiçada por falta de estrutura.
O Setembro Verde é um convite para pensar em solidariedade. Falar sobre doação de órgãos é falar sobre vida e a chance de transformar uma despedida em esperança para outras famílias. É um gesto envolto em dor, mas que também abre espaço para a continuidade, e essa é uma das provas de humanidade que cada indivíduo pode oferecer.