Poucos dias antes da posse de Donald Trump, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o relatório Apelo de Emergência 2025, comunicado distribuído mundialmente onde aponta a necessidade de US$ 1,5 bilhão para lidar com conflitos, mudanças climáticas, epidemias e deslocamentos.
O braço de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) listou que, neste ano, será preciso enfrentar 42 emergências de saúde já em andamento, sendo três consideradas de nível grave. A agência afirma, em seu Apelo de Emergência, que o mundo se encontra em um 'ponto de inflexão', resultante de mudanças climáticas, conflitos e epidemias que, segundo a OMS, convergem para uma "crise de saúde global sem precedentes".
Após o comunicado, uma das primeiras medidas do presidente Donald Trump ao retomar o poder em Washington foi comunicar a intenção de cumprir o tempo obrigatório de 12 meses e retirar os Estados Unidos da OMS, cortando todo o apoio financeiro delegado ao organismo internacional.
A decisão de Trump, que ainda precisa ser referendada, se legitimada, pode representar um duro golpe às ações de combate à saúde global ao prejudicar o financiamento na prevenção e combate a doenças como a Aids, poliomielite e Mpox em todo planeta. Os Estados Unidos aderiram à OMS em 1948 como um dos fundadores da organização e, atualmente, é considerado um dos maiores doadores de recursos, seguido pela Alemanha e por empresas privadas. Entre os anos de 2022 e 2023, o governo norte-americano repassou US$ 1,2 bilhão à OMS - a maior parte direcionada ao combate a doenças no continente africano. A retirada do financiamento deve afetar em cheio o combate a enfermidades em zonas de conflito no Oriente Médio e na África.
A aversão de Trump e parte da base Republicana a forças de cooperação multilaterais e às organizações internacionais sempre esteve no radar, mas sua materialização pode resultar em uma brutal redução da capacidade de reação a crises na área da saúde ao redor do planeta.
A OMS, mesmo com falhas expostas no decorrer da pandemia de Covid-19, é considerada imprescindível no sentido de fomentar, produzir e difundir evidências com base científica. A partir da atuação de seus especialistas, fomenta, produz e difunde evidências científicas com interesses que superam a diversidade política, religiosa e cultural de seus 194 estados-membros.