O ano de 2024 se encaminha para o final e deixará marcado na memória de todos os gaúchos e gaúchas a dor pelas perdas de vidas e destruição de cidades inteiras, mas também será lembrado para sempre como o ano que mostrou toda a força, pujança, solidariedade e todo o incansável espírito de luta de um povo que enfrentou a maior tragédia climática já ocorrida no Brasil e que não esmoreceu em momento algum.
As enchentes de maio devastaram o Estado de uma maneira nunca antes vista. A destruição foi quase que total em algumas cidades, com as águas levando tudo que viam pela frente. Em Porto Alegre, o Guaíba chegou ao seu mais alto nível registrado.
Ao todo, 183 vidas foram perdidas e 27 pessoas ainda seguem desaparecidas. Mais de 2,3 milhões de gaúchos foram atingidos em 471 municípios - cerca de 95% de todas as cidades do Rio Grande do Sul.
Os cálculos acerca do prejuízo econômico não retratam com precisão o tamanho dos estragos e variam. Conforme o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o desastre causou um baque de R$ 87 milhões no RS. Recursos chegaram e ainda estão chegando, mesmo que fora da celeridade necessária.
Em setembro, o governo federal anunciou que já havia destinado R$ 98,7 bilhões ao Rio Grande do Sul. Já o governo estadual criou o Plano Rio Grande e, conforme informações disponíveis no site do programa, já foram aplicados R$ 4,1 bilhões em ações de reconstrução.
O real impacto econômico das enchentes ainda há de ser devidamente calculado. Há muito o que se reconstruir, muitas casas a serem erguidas, pontes a serem levantadas, postos de saúde, escolas, lojas, bares, restaurantes, padarias, mercados, farmácias, indústrias e tantas outas coisas a serem recuperadas.
A tragédia, por outro lado, mostrou a força do povo gaúcho. Em momento algum a esperança e a dedicação em salvar vidas e ajudar ao próximo diminuíram. Quem havia perdido tudo, deixava de lado os seus problemas para colaborar no esforço coletivo em prol daqueles que estavam em pior situação. As placas e monumentos serão uma lembrança da superação de uma gente que venceu a batalha mais difícil da história do Rio Grande do Sul.
Como diz o hino rio-grandense, sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra. Em 2024, os feitos dos gaúchos foram modelo e irão permanecer para sempre na memória de todos que viveram aqueles dias de maio.