Um dos pilares em que se baseia o governo federal para aumentar a arrecadação e poder fazer novos investimentos em áreas-chave para o desenvolvimento do Brasil é o setor de energia. Medidas desenvolvidas nos últimos anos vêm deixando claro que uma das prioridades são as energias renováveis, sobretudo como uma alavanca para a retomada da indústria no País.
A Política Nacional de Transição Energética, lançada na semana passada, pretende ser um guia para o setor no que tange à descarbonização brasileira. Ou seja, passar, no que for possível, do uso de combustíveis de fontes fósseis - petróleo e carvão - para alternativas que emitam menos gases de efeito estufa.
Atualmente, apesar de a matriz elétrica do País ser considerada 90% limpa, a matriz de transporte ainda tem participação majoritária de fontes não renováveis, ou seja, à base de derivados do petróleo.
Com meta de integrar diversas políticas governamentais para atrair novos players, o plano é que os investimentos em fontes renováveis, combustíveis sustentáveis de baixo carbono e mineração sustentável alcancem surpreendentes R$ 2 trilhões em 10 anos e gerem até 3 milhões de empregos, entre diretos e indiretos.
Um dos trunfos do Brasil é, justamente, possuir um vasto potencial para ser fomentado em áreas como energia eólica e fotovoltaica, hidrogênio verde e mercado de carbono. Relatório de junho do Fórum Econômico Mundial coloca o País como líder emergente na transição energética global e um lugar seguro para investimentos que buscam, para seus negócios, vínculos com frentes de produção ambientalmente sustentáveis.
Entre os estados com vocação para energia renovável, o Rio Grande do Sul é um dos que têm se destacado. Além da capacidade do aproveitamento do potencial eólico para a produção do hidrogênio verde, há, no RS a possibilidade de se desenvolver uma cadeia desse combustível com a fonte solar. Para 2025, está nos planos o desenvolvimento da primeira planta de hidrogênio verde no Porto de Rio Grande.
O aumento da competitividade no setor também é uma meta. A liberação pela estatal que administra os contratos de partilha de produção de petróleo e gás natural da União, na semana passada, para negociar os volumes de gás natural já processados diretamente no mercado busca aumentar a oferta e diminuir o preço ao consumidor final, contribuindo com a neoindustrialização.