O Rio Grande do Sul ocupava a quinta posição em número de microempreendedores individuais (MEIs) em 2022, um aumento de 11,6% em comparação ao ano anterior. O contingente passou, no período, de 781,8 mil para 883,5 mil, segundo dados do IBGE. Quase metade (427,2 mil) atuava no setor de serviços, área fortemente afetada pelas enchentes de maio.
Em abril deste ano - um mês antes das cheias -, quando o governo federal lançou o programa Acredita, um pacote de ações de acesso a crédito e renegociação de dívidas ao segmento, haviam 953.296 MEIs - dados do Planalto - registrados no Estado. Ou seja, passados 1 ano e quatro meses de 2022 (ano referente à pesquisa do IBGE), já haviam 69.796 MEIs a mais.
Não se pode relegar a importância do levantamento inédito do IBGE referente a 2022, que buscou suprir uma lacuna sobre as informações difusas referentes ao universo das MEIs. A pesquisa cruzou informações de CNPJ, Simples Nacional, Relação Anual de Informações Sociais (Rais), Cadastro Central de Empresas (Cempre) e Cadastro Único do Governo Federal (CADÚnico), entre outros.
O objetivo do estudo do IBGE é o embasamento de políticas públicas relativas ao setor. Claramente, porém, são números que já não condizem com a realidade de 2024, sobretudo no RS pós-cheias.
Como exemplo, apenas Porto Alegre perdeu 2.500 empregos formais em maio. E esse número cresce quando se acrescenta os 40% de vagas informais. Naquele mesmo mês, um balanço da prefeitura sobre o impacto econômico da enchente, que atingiu 30% da Capital, mostrou que 45.970 CNPJs haviam sido impactados diretamente, sendo o segmento de serviço o mais afetado, com 29.048 estabelecimentos.
Os governos nos três níveis lançaram programas para socorrer MEIs. São ações que vão desde linhas de crédito subsidiadas até apoio para melhorar a gestão dos negócios. Só que as dificuldades para ter acesso à ajuda são as principais reclamações, principalmente devido a questões burocráticas e limitações na definição das áreas oficialmente reconhecidas como afetadas.
Por isso, ainda é preciso uma atenção para a situação em que se encontram diversos MEIs no Estado depois da tragédia climática de maio. Isso passa por uma análise tanto do comprometimento da estrutura produtiva quanto da capacidade de se reerguer das empresas afetadas direta e indiretamente.
A dúvida que permanece é quanto tempo a economia gaúcha vai levar para se recuperar diante de ainda tantos percalços passados já quatro meses da tragédia climática.