Símbolo do Rio Grande do Sul, alma do Centro Histórico e coração de Porto Alegre, o Mercado Público está se reerguendo após mais uma tragédia. Referência na tradição e na cultura gaúcha, o centro de abastecimento também é a espinha dorsal da economia da região e sua reabertura é vista como importante alavanca para reerguer não apenas o Centro, mas a cidade como um todo.
Nesta terça-feira, das 104 lojas do Mercado, 53 já estavam operando, obviamente, sem esconder as cicatrizes da inundação. Em 3 de maio, o Mercado Público foi fechado em razão dos alagamentos, que atingiram níveis históricos - 5,35 metros -, superando, de longe, a maior cheia que a cidade já registrou, em 1941, de 4,76 metros.
Inaugurado em 1869, o Mercado é uma das maiores atrações turísticas da cidade, sobretudo, pela atividade gastronômica. É preciso lembrar que o prédio já passou por maus bocados em seus quase 155 anos de história. Foram ao menos três incêndios - 1976, 1979 e 2013 - e duas enchentes.
A verdade é que os porto-alegrenses contavam as horas para que o Mercado voltasse a operar. Foram dias difíceis, de muita dor e prejuízo para os permissionários, mas também de tristeza para aqueles apaixonados pela vida pulsante do Centro Histórico.
As primeiras operações reabriram no dia 15 de junho, 41 dias depois da tragédia que, segundo estimativas, causou prejuízos que giram em torno de R$ 30 milhões para comerciantes do local, resultante da falta de movimento de clientes e descarte de mercadorias e mobiliários.
A reabertura, notoriamente, é símbolo de retomada da economia na cidade em um momento de perda histórica de arrecadação com o fechamento dos comércios. Somente em maio, a estimativa é que a prefeitura de Porto Alegre tenha deixado de recolher R$ 71 milhões entre IPTU, ISS, ITBI e dívida ativa. Valores extremamente necessários também para a reconstrução, uma vez que, somente o custo público estimado da destruição, até o momento, varia entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões.
No Rio Grande do Sul, sob efeito das enchentes de proporções arrasadoras, entre 1º de maio a 12 de junho, a arrecadação de ICMS ficou 25,3% abaixo da previsão antes da crise climática, ou seja,
R$ 1,68 bilhão a menos.
Mais do que proporcionar uma retomada econômica, a reabertura pode ser vista como um marco da resiliência dos gaúchos, uma forma de mostrar que é possível se reerguer da tragédia climática e, igualmente, uma luz para outros tantos comerciantes que perderam tudo.