O mercado de imóveis novos focado exclusivamente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), contemplando as faixas 2 e 3, registrou a comercialização de 770 unidades no último trimestre em Porto Alegre, alcançando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 207 milhões na economia local. Os dados consolidados fazem parte do Panorama do Mercado Imobiliário de Porto Alegre, um estudo de diagnóstico abrangente realizado a partir de uma cooperação técnica entre o Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a plataforma Órulo.
O levantamento mapeou um estoque total de 2.003 unidades disponíveis na capital gaúcha, distribuídas em 45 empreendimentos focados no segmento econômico. Desse montante, 51% das unidades estão atualmente em fase de construção e 44% já se encontram prontas para morar. Para a diretora do Sinduscon-RS, Cintia Dorneles de Souza, o cenário demonstra a resiliência e o bom momento do setor.
"Porto Alegre vive um momento bastante positivo para o segmento de habitação econômica. Temos observado uma demanda consistente, que ganhou impulso com as atualizações do Minha Casa, Minha Vida e com iniciativas locais e estaduais que ampliaram a capacidade de compra das famílias", avalia a executiva.
A diretora ressalta, no entanto, que o mercado ainda apresenta uma demanda habitacional relevante, e que a ampliação do acesso ao crédito traz novos públicos. O desafio futuro, segundo ela, "é continuar ampliando a oferta de imóveis compatíveis com a renda das famílias, em boas localizações e com infraestrutura adequada", algo que dependerá fundamentalmente da estabilidade das políticas públicas e da manutenção de condições de financiamento atrativas.
Os dados da pesquisa apontam que a preferência do consumidor porto-alegrense é bastante nítida: os apartamentos verticais de dois dormitórios correspondem a expressivos 82% de todas as unidades vendidas no período analisado. Segundo Cintia, a força desse produto específico se dá pela sinergia natural com o público-alvo e pelo planejamento das construtoras.
"A maior demanda pelos apartamentos verticais de 2 dormitórios também está diretamente relacionada à maior oferta desse produto no mercado. Por atender ao perfil predominante de compradores do primeiro imóvel, esse modelo concentra a maior parte dos lançamentos e unidades disponíveis, criando um alinhamento entre oferta e demanda", explica. Segundo ela, o resultado é um mercado aquecido para opções que unem acessibilidade financeira e funcionalidade.
O mapeamento também lança luz sobre a descentralização do desenvolvimento urbano de Porto Alegre, mostrando novos polos de interesse para a construção civil. O bairro Sarandi liderou com folga o volume de vendas no trimestre, enquanto Vila Nova e Cristal foram os grandes destaques na recepção de novos lançamentos imobiliários. Cintia destaca que essa movimentação não é acidental e segue uma lógica de planejamento da capital.
"A força de bairros como Sarandi, Vila Nova e Cristal reflete uma tendência de expansão da cidade para regiões que combinam potencial de crescimento, infraestrutura consolidada ou em desenvolvimento e preços mais acessíveis para o comprador", detalha.
Na avaliação da diretora do Sinduscon-RS, o ritmo atual reflete uma operação madura e com riscos calculados. "O mercado de Porto Alegre mantém um equilíbrio saudável entre oferta e demanda, especialmente no segmento econômico", aponta Cintia, indicando que a expectativa para os próximos meses e ao longo do próximo ano é de continuidade da atividade e de novos lançamentos na capital, impulsionados pelos compradores do primeiro imóvel.
Além do impacto direto no balanço das construtoras e dos mais de R$ 200 milhões de VGV gerados em um único trimestre, a diretora ressalta o valor agregado que a construção civil entrega para o município como um todo em termos sociais.
"O dinamismo do Minha Casa Minha Vida vai muito além das vendas. Além de impulsionar a geração de empregos e movimentar a cadeia da construção civil, os empreendimentos contribuem para o desenvolvimento dos bairros, atraindo investimentos e ampliando o acesso à infraestrutura", conclui a executiva.