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Publicada em 06 de Novembro de 2026 às 15:42

Minha Casa Minha Vida movimenta R$ 207 milhões em Porto Alegre no trimestre

Levantamento mapeou um estoque total de 2.003 unidades disponíveis na capital gaúcha, distribuídas em 45 empreendimentos

Levantamento mapeou um estoque total de 2.003 unidades disponíveis na capital gaúcha, distribuídas em 45 empreendimentos

Ricardo Stuckert/PR/JC
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Jamil Aiquel
Jamil Aiquel Repórter
O mercado de imóveis novos focado exclusivamente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), contemplando as faixas 2 e 3, registrou a comercialização de 770 unidades no último trimestre em Porto Alegre, alcançando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 207 milhões na economia local. Os dados consolidados fazem parte do Panorama do Mercado Imobiliário de Porto Alegre, um estudo de diagnóstico abrangente realizado a partir de uma cooperação técnica entre o Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), a Alphaplan Inteligência em Pesquisas e a plataforma Órulo.
O levantamento mapeou um estoque total de 2.003 unidades disponíveis na capital gaúcha, distribuídas em 45 empreendimentos focados no segmento econômico. Desse montante, 51% das unidades estão atualmente em fase de construção e 44% já se encontram prontas para morar. Para a diretora do Sinduscon-RS, Cintia Dorneles de Souza, o cenário demonstra a resiliência e o bom momento do setor. 
"Porto Alegre vive um momento bastante positivo para o segmento de habitação econômica. Temos observado uma demanda consistente, que ganhou impulso com as atualizações do Minha Casa, Minha Vida e com iniciativas locais e estaduais que ampliaram a capacidade de compra das famílias", avalia a executiva.
A diretora ressalta, no entanto, que o mercado ainda apresenta uma demanda habitacional relevante, e que a ampliação do acesso ao crédito traz novos públicos. O desafio futuro, segundo ela, "é continuar ampliando a oferta de imóveis compatíveis com a renda das famílias, em boas localizações e com infraestrutura adequada", algo que dependerá fundamentalmente da estabilidade das políticas públicas e da manutenção de condições de financiamento atrativas.
Os dados da pesquisa  apontam que a preferência do consumidor porto-alegrense é bastante nítida: os apartamentos verticais de dois dormitórios correspondem a expressivos 82% de todas as unidades vendidas no período analisado. Segundo Cintia, a força desse produto específico se dá pela sinergia natural com o público-alvo e pelo planejamento das construtoras. 
"A maior demanda pelos apartamentos verticais de 2 dormitórios também está diretamente relacionada à maior oferta desse produto no mercado. Por atender ao perfil predominante de compradores do primeiro imóvel, esse modelo concentra a maior parte dos lançamentos e unidades disponíveis, criando um alinhamento entre oferta e demanda", explica. Segundo ela, o resultado é um mercado aquecido para opções que unem acessibilidade financeira e funcionalidade.
O mapeamento também lança luz sobre a descentralização do desenvolvimento urbano de Porto Alegre, mostrando novos polos de interesse para a construção civil. O bairro Sarandi liderou com folga o volume de vendas no trimestre, enquanto Vila Nova e Cristal foram os grandes destaques na recepção de novos lançamentos imobiliários. Cintia destaca que essa movimentação não é acidental e segue uma lógica de planejamento da capital. 
"A força de bairros como Sarandi, Vila Nova e Cristal reflete uma tendência de expansão da cidade para regiões que combinam potencial de crescimento, infraestrutura consolidada ou em desenvolvimento e preços mais acessíveis para o comprador", detalha.
Na avaliação da diretora do Sinduscon-RS, o ritmo atual reflete uma operação madura e com riscos calculados. "O mercado de Porto Alegre mantém um equilíbrio saudável entre oferta e demanda, especialmente no segmento econômico", aponta Cintia, indicando que a expectativa para os próximos meses e ao longo do próximo ano é de continuidade da atividade e de novos lançamentos na capital, impulsionados pelos compradores do primeiro imóvel.
Além do impacto direto no balanço das construtoras e dos mais de R$ 200 milhões de VGV gerados em um único trimestre, a diretora ressalta o valor agregado que a construção civil entrega para o município como um todo em termos sociais. 
"O dinamismo do Minha Casa Minha Vida vai muito além das vendas. Além de impulsionar a geração de empregos e movimentar a cadeia da construção civil, os empreendimentos contribuem para o desenvolvimento dos bairros, atraindo investimentos e ampliando o acesso à infraestrutura", conclui a executiva.

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