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Publicada em 28 de Outubro de 2026 às 19:35

Dólar recua no fim do pregão com alívio no exterior

Interferência externa e política local movimentam índices brasileiros

Interferência externa e política local movimentam índices brasileiros

ARTE/JC
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Após se aproximar de R$ 5,40 no início da tarde desta quarta-feira (28), com investidores de olho em rumores sobre medidas do governo Lula para incrementar a arrecadação, o dólar à vista perdeu fôlego na última hora de negócios, alinhado ao movimento global da moeda americana, e encerrou a sessão em leve baixa, na casa de R$ 5,34.
As taxas dos Treasuries curtos e o dólar lá fora viraram para o campo negativo no fim da tarde, em meio a declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sobre a existência de um "consenso esmagador" de que as medidas monetárias estão começando a surtir efeito. O crescimento mais robusto da economia dos EUA não está provocando aceleração inflacionária, pontuou.
Depois de o Fed, como esperado, manter a taxa básica de juros, com dois votos dissidentes a favor de uma alta de 0,25 ponto percentual, Warsh disse que as próximas semanas trarão mais clareza sobre as variáveis econômicas. O chairman também anunciou uma mudança no calendário de decisões de política monetária em 2027, com uma das oito reuniões dedicada apenas ao debate de estratégias, sem decisão sobre a taxa de juros.

Para o economista sênior Christoph Balz, do alemão Commerzbank, Warsh não deu uma explicação "clara" para a decisão do Fed de manter a taxa de juros, apesar do crescimento forte e da inflação alta. "O argumento de que é preciso obter mais informações antes do próximo encontro não é muito convincente", afirma Balz. "Continuamos a esperar que os próximos dados mostrem pressão inflacionária persistente e antecipamos alta dos juros em dezembro."
Após tocar a máxima de R$ 5,3992, o dólar à vista encerrou o pregão cotado a R$ 5,3402, baixa de 0,19%. A moeda americana ainda acumula valorização de 6,95% na semana, fruto da arrancada de mais de 8% na segunda-feira, quando investidores promoveram um ajuste abrupto de posições por conta da surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês, a divisa avança 3,19%.
A depreciação mais forte do real no início da tarde, após um recuo que levou a moeda a R$ 5,3116 pela manhã, foi atribuída a informações de "O Globo" dando conta de que a equipe econômica estudava impor a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos de renda fixa isentos de Imposto de Renda, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
A possibilidade de cobrar IOF sobre esses papéis estaria fora do radar do governo, o que pode ter contribuído para a recuperação do real. Além das expectativas em torno de medidas fiscais, operadores mencionaram temores de piora na relação entre Estados Unidos e Brasil após Flávio Bolsonaro buscar abrigo em território americano. "Os sinais de tributação potencial desses títulos são ruins, apontando ajuste fiscal pela alta da receita em vez de corte de gastos", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, acrescentando que o temor de novas sanções americanas contribui para uma postura mais defensiva dos agentes.
Ainda pautado pelo receio dos investidores em relação à agenda econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa caiu pelo terceiro pregão seguido, acomodando-se na faixa dos 171 mil pontos (-2,68%, aos 171.006,10 pontos), menor nível desde 20 de agosto (167.927,15 pontos).
O índice operou descolado das bolsas americanas diante das preocupações de continuidade de uma agenda fiscal expansionista, o que vem levando os grandes investidores, inclusive estrangeiros, a seguir desmontando posições de maior risco no momento. Dados da B3 divulgados hoje mostraram que, só na segunda-feira, primeiro pregão após o segundo turno das eleições, os estrangeiros sacaram R$ 2,846 bilhões da bolsa.
Ontem, o volume das ações do Ibovespa somou R$ 76 bilhões. Na semana, o índice já acumula perda de 16,6%; no mês, recua 8,2%.
As quedas do dia se espalharam amplamente pelos setores da bolsa, com destaque para ações cíclicas, as que mais haviam se valorizado depois do primeiro turno, quando o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições reforçaram as apostas de alternância de poder. Nesta quarta, o IMOB, índice do setor imobiliário, cedeu 5,71%, enquanto o índice de small caps (SMLL) teve baixa de 4,22%. Entre os bancos, o tombo do Bradesco (PN: -6,68%), Itaú Unibanco (-3,42%) e BTG Pactual (-6,52%) foram os destaques
"Os bancos ajudaram a pressionar o índice e isso é um sinal de uma continuidade de venda pelos estrangeiros. Quanto mais demorar a definição de quem será o nome para o Ministério da Fazenda no novo governo e outros importantes, como Casa Civil, maior será o prêmio pedido pelo mercado", afirma o gestor da Venice RC, Cláudio Coppola.
Ele também vê nos resultados do Santander um indício de contaminação para o setor bancário como um todo porque os números reforçam o difícil cenário macroeconômico com que Lula terá que lidar a partir do ano que vem. O banco reportou um lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, tombo de 28% frente a igual período do ano passado, com destaque para o avanço da inadimplência.
Segundo o gestor da Nero Capital, Daniel Utsch, o movimento do Ibovespa segue sendo "100% doméstico", com uma forte retração nos setores mais ligados à economia doméstica pelo possível efeito de uma agenda fiscal expansionista sobre a política monetária. A potencial necessidade de manter o juro mais elevado no Brasil para conter a inflação, em um contexto de maiores gastos do governo, pressiona justamente as companhias desses segmentos.
"É cedo para entender se a magnitude de queda já representa oportunidade de compra, é um cenário macro bem difícil e o mercado está dando zero benefício da dúvida para esse novo mandato do Lula", afirma. "É uma situação diferente de 2022, em que esse componente foi relevante. Hoje, a situação das famílias, o endividamento das empresas e o cenário macro como um todo são muito desfavoráveis."
Em um pregão de elevada volatilidade, os juros futuros negociados na B3 fecharam sem direção única. As taxas longas exibiram firme alta, com incertezas dos investidores sobre a formação da equipe econômica e a política fiscal do governo Lula 4. Na ponta curta e no miolo da curva, o recuo dos Treasuries de dois anos após declarações consideradas mais 'dovish' do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, teve influência de baixa.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 caiu de 14,383% no ajuste anterior a 14,632%. O DI para janeiro de 2029 fechou em 14,745%, vindo de 14,762% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 14,911% a 14,970%.
Em igual horário, o retorno da T-Note de 2 anos cedia a 4,697%, enquanto o rendimento da T-Note de 10 anos desacelerava a alta a 5,016% e o T-Bond de 30 anos, a 5,345%.

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