Amparado pela alta das ações da Petrobras, em uma ponta, e contido pela baixa do setor bancário e da Vale, na outra, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,18%, aos 206.505,98 pontos, tocando uma máxima intradiária de 207.220,81 pontos (+0,16%) e uma mínima de 203.463,77 pontos (-1,65%). Depois da forte força compradora na Bolsa pelo resultado do primeiro turno das eleições, os investidores voltam à cautela enquanto também observam o aumento da inflação na economia americana.
Em dia de alta do petróleo, a Petrobras PN subiu 2,22%, enquanto a ON avançou 1,94%, ao passo que Vale (-0,66%) e grandes bancos - como Itaú (-1,41%), Bradesco PN (-1,14%) e BTG Pactual (-2,81%) - terminaram o dia no campo negativo. O giro financeiro das ações do índice ficou dentro da média, em R$ 31 bilhões.
Até o início da tarde desta quarta-feira (14) a sessão foi marcada por uma pressão maior na renda variável local e nos EUA na depois do índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) apontar inflação acima do esperado, reforçando a chance de juros mais altos por mais tempo lá fora. Em um susto inicial, o mercado passou a precificar chance maior de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro, mas o dado foi digerido ao longo da sessão e, no fim da tarde, as apostas voltaram a indicar cerca de 60% de probabilidade de manutenção neste mês.
Do lado doméstico, a confiança do mercado de que uma eventual vitória de Flávio represente maior austeridade fiscal ainda pauta os negócios - no mês, o Ibovespa sobe 10,8%. No entanto, para aumentar mais a exposição na renda variável, os investidores esperam por novos sinais de fortalecimento do candidato, traduzidos pelas pesquisas eleitorais, dizem analistas. Nesta quarta, a expectativa fica em torno da Quaest, a ser divulgada depois do fechamento.
"No mercado local, as pesquisas eleitorais seguem ganhando peso na formação dos preços. Com a atividade perdendo força e poucas novidades no exterior capazes de sustentar uma alta mais consistente, o comportamento da bolsa deve continuar bastante sensível às próximas pesquisas e às mudanças na percepção sobre a disputa eleitoral", afirma o analista de investimentos do Andbank, Fernando Bresciani.
"O mercado precificou o cenário de vitória de Flávio com bastante convicção, principalmente semana passada, enquanto as pesquisas mostram um empate técnico, e essa assimetria acaba preocupando", afirma o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass. "Se as pesquisas confirmarem o aperto, a correção deve continuar, tanto em juros quanto em varejo. Já se a vantagem voltar a abrir, o rali tende a retomar."