de Caxias do Sul
A Construesse está à frente do primeiro edifício de Caxias do Sul reconhecido como sustentável pelo Green Building Council (GBC) Brasil. O Bosco Esposizione somou 84 pontos e conquistou o selo platina, o mais alto entre os quatro níveis da certificação, entregue aos projetos com mais de 80 pontos.
O GBC é o órgão responsável por certificar os espaços residenciais construídos em seus aspectos ligados à sustentabilidade. “O resultado superou as expectativas que tínhamos para o projeto, concebido para ser diferente do tradicional”, reconhece a diretora Ana Lucia Sebben, que ao lado do irmão João Paulo comanda a empresa fundada pelo pai Volnei Sebben. Esta é a segunda certificação no estado e a sétima no Brasil.
O edifício começou a ser projetado em 2019 e foi lançado em setembro de 2021. A construção exigiu em torno de três anos e meio até a entrega para início da ocupação em 2025. Dos 19 apartamentos, apenas dois ainda não foram comercializados. São espaços com média de 230 metros quadrados, com custo atual estimado em torno de R$ 3,7 milhões.
De acordo com Ana Lucia, a certificação é resultado de um projeto que prioriza tecnologias para garantir conforto, praticidade, sustentabilidade, preservação ambiental e qualidade de vida aos moradores, condição já comum no Centro do país, mas ainda pouco difundida em outras regiões, como o Rio Grande do Sul. Um dos grandes diferenciais é a utilização de vidros importados da Suíça, que geram energia captada a partir da luz solar.
O Bosco Esposizione é o primeiro prédio no Estado e quinto no Brasil com esta condição. “Substituímos o material decorativo usualmente usado nas fachadas por painéis fotovoltaicos arquitetônicos. Somados ao telhado com painéis fotovoltaicos, a capacidade média mensal de geração é de 5.000kWh, praticamente atendendo a demanda total do prédio”, assinala, projetando para no futuro não fazer mais uso da energia da concessionária. Com a energia gerada, deixam de ser emitidos cerca de 15 toneladas de CO2/ano, o equivalente ao plantio de 700 árvores.
Para garantir o certificado são avaliados todos os aspectos do empreendimento, desde escolha de terreno, localização, comodidades do entorno, projeto arquitetônico e complementares que devem ser em plataforma BIM (building information modeling ou modelagem da informação da construção). Trata-se de uma metodologia de trabalho colaborativa, que integra arquitetura, estrutura e instalações em um modelo digital inteligente em 3D, centralizando dados de materiais e custos, o que permite simular a obra antes mesmo do canteiro ser aberto. O processo de certificação GBC engloba o sistema construtivo, a utilização de materiais locais ou com baixo impacto ambiental, as tecnologias aplicadas, a estética, a funcionalidade e a habitabilidade.
Dentro deste contexto, o edifício conta com sacadas e floreiras que conferem a ideia de casa suspensa. Tem uma área condominial no térreo, jardim frontal amplo, com pomar, vegetação nativa e árvores frutíferas. A edificação garante ainda baixo impacto ambiental, com gerenciamento de resíduos e uso de materiais legalizados e com procedência, utilização de água pluvial para a irrigação dos jardins e abastecimento das bacias sanitárias, gerando economia de até 50% na conta de água do condomínio e até 20% das unidades; e uso de medidores de água potável e não potável.
Outras iniciativas são as vagas de garagem com preparação para espera de carregador veicular, bicicletário, unidades residenciais com esperas para automação e ventilação cruzada para criar fluxos de ar de modo a garantir equilíbrio térmico e oferecer redução de equipamentos artificiais como ar-condicionado. O paisagismo foi desenvolvido com vegetações nativas, além da preservação de árvore icônica na região central da cidade. Internamente, o prédio é ilustrado por um trabalho fotográfico com o registro de momentos da obra e uma exposição de quadros de pintura emoldurados em restos de materiais na construção.
Setor passa por uma transformação
Continue sua leitura, escolha seu plano agora!