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Publicada em 07 de Outubro de 2026 às 11:50

Vendas de veículos eletrificados mais que dobram no RS e já respondem por um quarto do mercado

Sindicato prevê chegar a 30 mil até dezembro, mas aponta sinais de acomodação e entraves como a infraestrutura de recarga e a autonomia.

Sindicato prevê chegar a 30 mil até dezembro, mas aponta sinais de acomodação e entraves como a infraestrutura de recarga e a autonomia.

Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
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O avanço dos veículos eletrificados no Rio Grande do Sul vem se consolidando em 2026 e já representa uma mudança relevante no perfil das vendas de veículos novos. Entre janeiro e setembro, foram vendidos 24.010 automóveis e comerciais leves eletrificados no Estado, crescimento de 135,14% sobre as 10.211 unidades comercializadas no mesmo período de 2025. Os dados são do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Rio Grande do Sul (Sincodiv-RS).

Com o volume, os eletrificados já representam cerca de 25% das vendas de automóveis de passeio e comerciais leves em território gaúcho. Há poucos anos, essa fatia era de apenas 2%. A marca de 25 mil unidades deve ser superada em outubro, enquanto a projeção do sindicato é chegar a cerca de 30 mil veículos eletrificados vendidos até o final do ano.

No acumulado de 2026, os modelos 100% elétricos lideram. Foram 13.705 unidades, alta de 241,86% em relação ao mesmo período do ano passado. Os híbridos somam 10.305 veículos, com crescimento de 66,16%. Somente em setembro, foram 3.337 eletrificados comercializados, sendo 1.738 elétricos e 1.599 híbridos. O total mensal recuou 6,74% em relação a agosto, mas ficou 105,23% acima de setembro de 2025.

Para o presidente do Sincodiv-RS, Jefferson Fürstenau, o avanço é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a evolução da tecnologia, a ampliação gradual da infraestrutura de carregadores e a maior familiaridade dos consumidores com os veículos eletrificados. Um dos principais motores dessa expansão, segundo ele, são os motoristas de aplicativo, para quem a redução dos custos de operação pode tornar o modelo mais atrativo.

"O grande boom dos carros 100% elétricos é em cima dos motoristas de aplicativo, que têm uma economia muito maior", afirma. Segundo Fürstenau, considerando diferentes condições de carregamento, a economia em relação a um veículo a combustão pode chegar a cerca de 50%. O percentual, porém, varia conforme o uso e o tipo de veículo. Modelos híbridos mais eficientes, por exemplo, podem reduzir essa diferença.

A entrada das marcas chinesas também mudou o mercado. A chegada de modelos com preços mais competitivos pressionou as demais montadoras a ampliarem suas opções eletrificadas. Os modelos que vêm puxando as vendas estão, em geral, abaixo de R$ 130 mil. O BYD Dolphin Mini, na faixa de R$ 110 mil a R$ 115 mil, é apontado como uma das principais portas de entrada para o segmento e ocupa a segunda posição entre os modelos mais vendidos no estado no ano.

O avanço, no entanto, não ocorre de maneira uniforme entre as marcas. Nas fabricantes que oferecem modelos 100% elétricos abaixo de R$ 130 mil, esses veículos já representam mais de 50% do faturamento, segundo o dirigente. Em marcas nas quais os elétricos estão concentrados em modelos premium, na faixa de R$ 400 mil, a participação ainda é pequena. Por isso, Fürstenau ressalta que não é possível aplicar o percentual ao mercado como um todo.

Outro fator que influenciou a demanda foi a alta do petróleo associada à guerra no Irã. Segundo o presidente do Sincodiv-RS, houve crescimento da procura por veículos 100% elétricos em fevereiro, quando o conflito provocou uma alta do petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz. A pressão sobre os preços dos combustíveis tornou a busca por alternativas mais econômicas ainda mais relevante para parte dos consumidores.

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