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Publicada em 06 de Outubro de 2026 às 17:51

Idosos são minoria, mas concentram quase metade dos investimentos na B3 no Rio Grande do Sul

Pessoas com 60 anos ou mais representam 11,6% dos investidores, mas detêm 46,9% dos recursos aplicados

Pessoas com 60 anos ou mais representam 11,6% dos investidores, mas detêm 46,9% dos recursos aplicados

EVANDRO OLIVEIRA/JC
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Os investidores com 60 anos ou mais representam pouco mais de um em cada dez gaúchos que aplicam na B3, mas concentram quase metade de todo o dinheiro investido no Estado. Dados obtidos pelo Jornal do Comércio junto à Bolsa, referentes a setembro, mostram que essa faixa etária reúne R$ 17,9 bilhões, o equivalente a 46,9% dos R$ 38,15 bilhões mantidos por pessoas físicas do Rio Grande do Sul.

A concentração chama a atenção porque os investidores mais velhos são minoria em número. Dos 315,8 mil gaúchos presentes na Bolsa de Valores, 36,5 mil têm 60 anos ou mais, ou 11,6% do total. A maior parcela dos CPFs está, na verdade, entre 25 e 39 anos: são 133,1 mil investidores, 42,1% do contingente, mas com R$ 4,92 bilhões aplicados - apenas 12,9% do estoque.

A diferença aumenta quando se observa o valor médio por investidor, embora o indicador possa ser influenciado pela presença de grandes patrimônios. Entre os maiores de 60 anos, a média chega a aproximadamente R$ 490 mil. Na faixa dos 40 aos 59, cai para cerca de R$ 128 mil e, entre 25 e 39 anos, fica próxima de R$ 37 mil.

Para o economista Gustavo Inácio de Moraes, professor da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), uma das principais explicações está no próprio ciclo de formação de patrimônio: pessoas mais velhas tiveram mais tempo para acumular recursos e, em geral, chegaram a uma fase da vida profissional em que salários e rendimentos foram maiores. “Aposentadorias, recursos provenientes do FGTS e outras entradas também podem contribuir para formar esse patrimônio”, diz.

No caso gaúcho, há ainda um fator demográfico. O Rio Grande do Sul está entre os estados mais envelhecidos do País e, em 2024, 20,6% da população já tinha 60 anos ou mais. Moraes avalia que essa característica ajuda a reforçar a concentração observada nos dados da B3.

"O envelhecimento da população reforça esse movimento de acúmulo patrimonial relacionado à B3 e a propensão de se investir", afirma. O economista acrescenta que a formação de patrimônio no Estado e a presença de empresas gaúchas no mercado de capitais também podem ajudar a explicar o fenômeno.

Sucessões empresariais e agro ajudam a explicar concentração

Para além da idade da população, características da economia gaúcha podem ajudar a entender por que uma parcela relativamente pequena de investidores mais velhos detém valores tão elevados. O professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Marco Martins, aponta que parte desse patrimônio foi construída ao longo de décadas e está ligada à própria trajetória de empresas e famílias empresariais do Estado.

"Minha percepção é de que o Rio Grande do Sul tem um perfil etário mais envelhecido que a média do Brasil. O portfólio em ações é formado ao longo dos anos com investidores de longo prazo", explica.

Martins destaca ainda os processos de sucessão empresarial ocorridos no Estado nos últimos anos. Em alguns casos, a transferência entre gerações, a venda de companhias ou operações no mercado de capitais transformaram participações empresariais em patrimônio financeiro a ser administrado.

"Esse processo de sucessão muitas vezes resultou em abertura de capital e/ou venda de empresas, gerando muitas family offices encarregadas de fazer gestão de patrimônio", argumenta. Os family offices são estruturas criadas para administrar investimentos e outros ativos de famílias de alta renda.

Outro componente apontado pelo economista é o agronegócio. A geração de renda pelo setor, segundo Martins, cria também a necessidade de diversificar o patrimônio para além da própria atividade produtiva.

Há ainda uma particularidade importante para interpretar os números da B3: nem todo o estoque atribuído aos investidores mais velhos representa necessariamente aplicações feitas como uma decisão convencional de investimento. Uma parcela pode corresponder a participações societárias mantidas por fundadores e herdeiros de grandes companhias.

"Existe um percentual relevante deste portfólio que são ações dos investidores fundadores e de segunda geração das famílias de grandes grupos empresariais, ações estas que estão no bloco de controle", observa Martins.

Somados, os investidores a partir dos 40 anos representam 48,7% dos CPFs gaúchos na B3, mas concentram 86,1% do patrimônio, com R$ 32,86 bilhões.

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