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Publicada em 02 de Outubro de 2026 às 16:35

Durigan afirma que envio da MP do Imposto Seletivo ainda está em tratativas

Governo busca acordo com setores para evitar ruído político

Governo busca acordo com setores para evitar ruído político

Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
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Agências
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o envio ao Congresso Nacional da Medida Provisória (MP) que cria o Imposto Seletivo (IS) ainda está em tratativas. A ideia era editar a MP em setembro ou, no mais tardar, até esta sexta-feira, 2 de outubro, já que o tributo está sujeito à regra da noventena, que estabelece o prazo de 90 dias entre a publicação e o início da cobrança - previsto para 1º de janeiro de 2027. "Esse é um tema que eu vou tratar na sequência", se limitou a dizer Durigan a jornalistas, após fazer um balanço de outra MP, a que proibiu a operação das bets no País.
Também conhecido como "imposto do pecado", este é um tributo federal pensado para encarecer bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Ele deverá atingir segmentos como o de tabaco, bebidas alcoólicas, refrigerantes e similares, entre outros. A lista final ainda não foi publicada. Segundo a equipe econômica, a implementação do IS não deverá representar alta da carga tributária para a maioria dos setores.
O Seletivo possui caráter extrafiscal, pois busca desincentivar o consumo e provocar mudanças de comportamento, e conta com apoio técnico na área de saúde pública, mas é altamente impopular entre parte dos consumidores.
Setores afetados e alguns tributaristas falam em potencial altamente arrecadatório e sustentam que ele poderá acabar estimulando a pirataria e o mercado ilegal. Durante a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma, setores atuaram para evitar ou, ao menos, driblar a incidência do imposto, como foi o caso dos alimentos ultraprocessados, cujo lobby garantiu sua exclusão da lista de produtos sujeitos à incidência do IS.
Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o governo federal costura um acordo com os setores que serão afetados pelo IS na reforma tributária para evitar um "ruído político" que ameace a implementação das mudanças.
Nos bastidores, existe uma preocupação de que qualquer "deslize" sobre a reforma tributária dê ainda mais munição ao candidato Flávio Bolsonaro (PL), que vem defendendo seu adiamento.
As alíquotas do IS, da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) - de competência da União -, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) - de competência dos Estados e municípios - só deverão ser conhecidas após as eleições.
O governo afirma que não houve adiamento de etapas nem alteração do calendário originalmente previsto, enquanto a oposição acusa o Palácio do Planalto de estar "escondendo" qual será a alíquota geral do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual - composto pela CBS e pelo IBS -, dizendo que ela será "a maior do mundo".

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