Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 28 de Setembro de 2026 às 15:11

Com IA própria, GHC economiza R$ 7,2 milhões após migração para o mercado livre de energia

Redução no custo ocorreu em menos de dois anos após a mudança no modelo de abastecimento

Redução no custo ocorreu em menos de dois anos após a mudança no modelo de abastecimento

InPacto/GHC/Divulgação
Compartilhe:
Agências
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) economizou R$ 7,2 milhões no gasto com energia elétrica, menos de dois anos depois da migração para o mercado livre de energia. Entre janeiro e dezembro de 2025, a instituição poupou R$ 3,8 milhões; outros R$ 3,4 milhões foram economizados até o momento em 2026. A redução ocorreu no fornecimento de energia elétrica aos hospitais do grupo, todos com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo modelo reduziu pela metade o custo por kW/h, unidade de medida que calcula o consumo de energia elétrica. Além do impacto financeiro, a mudança contratual fez com que 67,2% da energia consumida pela instituição passasse a ser proveniente de fontes limpas e renováveis, como a bioenergia, gerada a partir do bagaço da cana-de-açúcar, e a energia fotovoltaica, originada no uso de placas solares.

Anteriormente abastecido pela rede convencional de energia, o GHC optou, em 2024, pela migração contratual para a chamada "energia incentivada", que inclui biomassa, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), energia eólica e energia solar.

“Esse modelo de contratação oferece vantagens tributárias e permite que o consumidor escolha diretamente seus fornecedores de energia, estimulando a disputa de preços, enquanto a distribuidora local permanece responsável apenas pela infraestrutura física de transmissão e distribuição da rede”, explica João Vinícius Schultz, engenheiro elétrico do GHC.

A transição exigiu adequações físicas nas subestações do GHC, que totalizaram um investimento de quase R$ 250 mil, montante recuperado no primeiro mês de operação devido à diferença tarifária obtida com o novo contrato de energia livre.

Planejamento e mitigação de riscos

A nova operação exigiu adaptações estratégicas. Isso porque, no mercado livre, a compra é feita antecipadamente e deve considerar o gasto do período do contrato. Se a projeção errar, quem compra precisará pagar mais caro para garantir o abastecimento. Ou seja, uma avaliação ruim do consumo projetado pode anular a economia esperada.

“Para contornar esse risco e assegurar que o consumo permanecesse dentro dos limites do contrato, desenvolvemos uma inteligência artificial baseada em redes neurais para fazer o cálculo. Ela usa um banco de dados do que foi consumido no passado e faz uma projeção do que precisará ser comprado para os próximos anos, com uma margem de erro que garante a segurança”, resume Schultz.

Em 2024, antes da adoção do novo modelo, a IA feita no GHC projetou a demanda e o consumo do Hospital Cristo Redentor (HCR) para 2025 e 2026. Os resultados foram validados com uma empresa especializada em gestão de energia contratada pela instituição.

Notícias relacionadas