O Instituto de Finanças Internacionais (IIF) informou nesta quarta-feira (23), que a dívida global superou US$ 365 trilhões no primeiro semestre de 2026, após uma alta de mais de US$ 10 trilhões. Os mercados emergentes responderam pela maior parte do avanço. Segundo o IIF, a dívida total dos emergentes aumentou US$ 6,5 trilhões, para mais de US$ 110 trilhões, com a liderança da China.
O relatório aponta que a inflação ajudou a conter a relação dívida/PIB, criando uma "aparência" de melhora. "A dívida global em proporção do PIB está em torno de 310%, cerca de 25 pontos percentuais abaixo do pico do início de 2021, mas essa dinâmica reflete principalmente o crescimento nominal mais alto", diz o IIF no documento.
Ao mesmo tempo, o IIF destaca a alta do custo de financiamento. Os custos médios de captação dos governos do G7 estão nos maiores níveis desde meados de 2008. Em doze meses, economias avançadas pagaram mais de US$ 3,5 trilhões em juros sobre títulos públicos negociados internacionalmente, valor que o IIF compara como superior aos gastos globais estimados com inteligência artificial (US$ 2,6 trilhões), defesa (US$ 3,1 trilhões) ou energia (US$ 3,4 trilhões).
Nos EUA, o IIF registra que a dívida das empresas não financeiras chegou a US$ 24 trilhões, em meio ao aumento de captações ligadas à inteligência artificial. O texto também aponta a expansão do crédito privado, que passou a representar mais de 5% da dívida corporativa não financeira em aberto no país.
O documento chama atenção para pressões estruturais em saúde e previdência. O IIF indica que gastos governamentais com saúde vêm aumentando e que a despesa com pensões públicas cresce com o envelhecimento populacional, elevando passivos contingentes soberanos. Nos emergentes, o IIF descreve condições externas ainda favoráveis, com emissão recorde de Eurobonds soberanos em 2026 e spreads de credit default swap (CDS) normalizados, além de monitoramento do caso de Senegal no Common Framework.
O IIF estima ainda que o mercado de dívida ESG alcançou US$ 9 trilhões em meados de setembro de 2026, com emissões no ano acima de US$ 1 trilhão.