Sob a ótica de dragagens, navegabilidade e desassoreamentos, o futuro das hidrovias gaúchas foi tema de debate em evento da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), na manhã desta quarta-feira (26), com a presença de seis especialistas. Conforme a mediadora da conversa, Daniela Cardeal, a discussão dá continuidade a uma ação iniciada logo após as enchentes, reforçando a importância de dados técnicos e projetos atualizados para apoiar o desenvolvimento da região.
Daniela também aponta que, embora existam excelentes concepções de projetos, muitas vezes eles não são executados da mesma forma durante a construção. Ela defende que, na situação do Estado, que se depara com frequência com eventos extremos, índices técnicos precisam ser atualizados para que as futuras obras sejam guiadas por uma engenharia mais assertiva e comprometida com a segurança da população.
O diretor de hidrologia da Rhama Analysis, Carlos Tucci, analisou a dinâmica dos rios, o transporte de sedimentos, a gestão de cheias e as falhas nas políticas públicas de prevenção de desastres no Brasil. Segundo ele, a urbanização acelera drasticamente a erosão em pequenas bacias urbanas. Além disso, em bacias maiores, os sedimentos tendem a se depositar em trechos de menor velocidade de escoamento, como no Guaíba, evidenciando que os rios buscam seu equilíbrio natural e que tentar conter grandes cheias por meio de dragagem ou desassoreamento é tecnicamente inviável.
Como solução para mitigar os desastres, Tucci defende o zoneamento de inundação, ou seja, evitar que as famílias se instalem em áreas mais suscetíveis a cheias. Porém, alerta que essa medida vai contra o interesse dos governos na questão de controle de terras.
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