A preocupação de que a nova concessão da Malha Sul ferroviária fatiada em três lotes (corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul) foi o apontamento mais destacado pelas lideranças políticas e do setor logístico na audiência pública realizada em Porto Alegre para discutir o futuro desse modal. O evento foi promovido nesta quarta-feira (29), na Fiergs, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
"A fragmentação vai deixar o Rio Grande do Sul e Santa Catarina sem ferrovia", alerta o coordenador do Grupo de Trabalho Ferrovias do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), Beto Martins. Ele enfatiza que a ferrovia é superavitária no Paraná, mas deficitária no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Assim, ele teme que as licitações dos trechos gaúcho e catarinense acabem desertas.
Já o secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, sustenta que é preciso mais tempo para debater a questão. "Não se decide 30 anos em três meses, não se decide 30 anos em três dias", afirma Magalhães. Para ele, o modelo proposto, de fatiamento, não tem sustentabilidade. Magalhães reforça que o modal é essencial para o Estado. "As ferrovias, ao longo do último período de concessão, foram literalmente abandonadas no Rio Grande do Sul", lamenta o dirigente.
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