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Publicada em 09 de Abril de 2026 às 18:56

Debate no Fórum da Liberdade discute identidade brasileira e desafios históricos do país

Painel reuniu Luiz Felipe Pondé, Fernando Schüler e Jorge Caldeira para refletir sobre desigualdade, cultura política e o papel do Estado na formação do Brasil

Painel reuniu Luiz Felipe Pondé, Fernando Schüler e Jorge Caldeira para refletir sobre desigualdade, cultura política e o papel do Estado na formação do Brasil

Fabíola Corrêa/JC
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Marina Mugnol
Marina Mugnol
A partir do tema central da 39ª edição do Fórum da Liberdade “O Brasil tem jeito”, o painel “Qual o jeito do brasileiro?” reuniu o cientista político, articulista e professor Fernando Schüler, o historiador, sociólogo e escritor Jorge Caldeira, e o filósofo, escritor e professor Luiz Felipe Pondé para discutir sobre identidade, valores e o modo de ser do brasileiro.

Mediado por Victoria Werner de Nadal, diretora de Relações Institucionais do evento, Luiz Felipe Pondé abriu o painel destacando três características do povo brasileiro. A primeira delas foi uma crítica à elite, que, segundo ele, tem sido “delinquente na forma de liderar o País”. Em seguida, apontou o que chamou de uma “falsa soberania” do povo brasileiro. Por fim, afirmou que o Brasil vive um momento próximo a uma “censura líquida de ordem jurídica”, no qual determinadas palavras podem gerar processos judiciais.

Na mesma linha, Fernando Schüler enfatizou que o Brasil é uma sociedade marcada por forte assimetria e desigualdade. Segundo ele, essa realidade contribui para a construção de uma cultura de dependência do Estado. “Como somos uma sociedade com muita pobreza e desigualdade, cria-se a ideia de que precisamos ser constantemente tutelados. O Estado poupa por nós, decide por nós e até define regras básicas de participação, como o voto obrigatório”, argumentou.

Já Jorge Caldeira defendeu a necessidade de ampliar a compreensão democrática no País, propondo uma transição “da micro para a macro-democracia”. Ele contextualizou historicamente o sistema eleitoral brasileiro, destacando sua longa existência. “Temos uma tradição histórica monumental e desses 494 anos em que funcionou o sistema eleitoral, quando as eleições funcionam de maneira democrática, 99% da população era analfabeta”, explicou.

A programação do Fórum da Liberdade segue até esta sexta-feira (10), no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). 

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