“Poucos países estavam prontos para a crise dos combustíveis causada pela guerra entre Israel e Irã. O Brasil estava”, assim inicia a reportagem do veículo americano The Economist sobre a posição estratégica ocupada pelo Brasil no cenário nacional e internacional de produção de biocombustíveis.
A afirmação do jornal norte-americano se baseia em índices de produção e mistura de biodiesel e etanol no Brasil. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), em 2025, a produção nacional atingiu cerca de 9 milhões de litros de biodiesel. Análises econômicas apontadas pelo jornal mostram que, enquanto os Estados Unidos registraram 40% de aumento no preço dos combustíveis, o Brasil registrou um aumento médio de 20%.
Segundo Edson Silva, CEO da ES Petro, empresa de consultoria do setor petrolífero, o Brasil apresentou essa vantagem em relação a outros países por causa da possibilidade de mistura de 15% do biodiesel sob o diesel, o que diminui a dependência de importação: “A relação entre a importação de diesel fóssil e a mistura de biodiesel no Brasil é de proporcionalidade inversa, ou seja, quanto maior o percentual de biodiesel adicionado, menor é a necessidade de importar combustível mineral do mercado externo”, explica. Em um cenário em que a importação de diesel diminuiu 20% em função do encarecimento de 68% do petróleo tipo Brent, o biodiesel foi um fator essencial para a segurança do abastecimento nacional.
Silva defende que o Brasil ocupa uma posição estratégica no cenário mundial de biocombustíveis, que fundamenta-se em três pilares: segurança energética, benefícios ambientais e desenvolvimento econômico. “A vantagem estratégica do biodiesel para o Brasil reside na segurança energética, ao reduzir a necessidade de importações, nos benefícios ambientais decorrentes de uma matriz de transporte mais limpa e no desenvolvimento econômico impulsionado pela geração de tecnologia e empregos”, aponta. Vale mencionar que o Brasil firmou um compromisso de transição energética na Cop30, e o aumento da mistura de biocombustíveis entra nesse escopo.
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