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Publicada em 16 de Fevereiro de 2026 às 00:15

Comil se consolida como a segunda maior fabricante de ônibus rodoviários do Brasil

Empresa mira agora em um investimento em tecnologia e ampliação

Empresa mira agora em um investimento em tecnologia e ampliação

/Comil/Divulgação/JC
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A trajetória recente da Comil é uma daquelas viradas que merecem ser contadas com um pouco de fôlego. Em menos de uma década, a fabricante de ônibus sediada em Erechim (RS) saiu de uma recuperação judicial para ocupar o posto de segunda maior produtora de ônibus rodoviários do Brasil, com presença em 30 países e faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2025.Mas, para chegar até aqui, foi preciso enfrentar o que talvez tenha sido o maior teste de resiliência da empresa em seus 40 anos de história, completados no mês de janeiro.O cenário começou a se tornar desfavorável em 2013, quando protestos nas grandes cidades brasileiras derrubaram a confiança nos sistemas de transporte coletivo e congelaram investimentos em mobilidade urbana. A Comil, que havia acabado de inaugurar uma nova fábrica em São Paulo com foco na produção de ônibus urbanos, viu a demanda despencar.“A partir dali, o setor entrou em colapso. Em 2011, o Brasil produzia cerca de 35 mil ônibus por ano. Depois de 2013, essa produção caiu 65%”, relembra Carlo Corradi, diretor financeiro da empresa. “Na época, chegamos a fabricar sete veículos urbanos por dia. A estrutura estava montada para um mercado que simplesmente deixou de existir.”Entre 2016 e 2017, o caixa curto e a falta de resposta nas negociações extrajudiciais com bancos colocaram a sobrevivência da empresa em xeque. A recuperação judicial tornou-se a única alternativa.O pedido de recuperação foi protocolado em setembro de 2016, em uma parceria entre os escritórios Advocacia Dárcio Vieira Marques, de Passo Fundo, e MSC Advogados, de Porto Alegre.Sobre a condução do processo judicial, o advogado Dárcio Vieira Marques ressalta que o envolvimento dos administradores da empresa foi essencial desde o primeiro momento. “Eles precisaram ter força de vontade e usar a criatividade para nos ajudar a negociar e também fazer com que a empresa voltasse a produzir. E foram muito eficientes: buscaram novos produtos, foram à luta”, afirma o advogado.O processo de reestruturação do passivo e das obrigações ficou a cargo do escritório MSC Advogados, responsável pelas negociações com credores. Para Silvio Luciano Santos, sócio do escritório, a virada passou por uma guinada na forma de gerir o negócio. “Os gestores compreenderam que a sobrevivência da empresa exigia mais do que esforço: era preciso profissionalizar a gestão, rever processos internos e adotar uma postura de governança mais robusta. O plano de reestruturação não foi apenas aprovado, mas desenhado com realismo e foco em viabilidade de longo prazo”, explica Santos.O encerramento oficial do processo veio após o cumprimento integral do plano aprovado em assembleia. Hoje, a Comil opera com 2,2 mil colaboradores, quase o triplo do quadro reduzido durante a crise, e produz, em média, nove ônibus por dia, com 30% da receita vinda de exportações para a América Latina. Agora, prepara um grande investimento na área de tecnologia e mira a ampliação do seu espaço físico.“Fazendo uma analogia, a recuperação judicial é o último remédio para qualquer empresa. É amargo, indigesto e não é simples. Exige muito comprometimento, mas se bem usado, pode, sim, proporcionar uma recuperação verdadeira”, reflete Corradi.A empresa, que já produziu até 15 ônibus por dia no auge da era dos BRTs, agora aposta em um mix de produtos com maior valor agregado e foco em rodoviários, o que exige mais tempo de produção, mas também mais margem e estabilidade.Para Silvio Luciano Santos, a história da Comil é uma prova de que a recuperação judicial pode ser uma ferramenta de transformação real, desde que usada com critério e estratégia: “Nem todas as companhias têm indicação para usar este instrumento. No entanto, quando bem recomendado e utilizado, ele permite a manutenção da função social das empresas: preservar empregos e renda e movimentar a economia.”

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