O governo federal prevê para o ano que vem a concessão de 14 rodovias, em um total de R$ 158 bilhões em investimentos. Se confirmado, 2026 será o ano com o maior número de leilões do tipo na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O projeto será divulgado nos próximos dias pelo Ministério dos Transportes. Da oferta de 14 estradas federais, oito são novos trechos que serão leiloados. Outras seis rodovias são concessões atuais que tiveram seus contratos reformulados e que também serão oferecidas a investidores interessados. Esses trechos somam 7.295 km de estradas. As obras previstas incluem 1.197 quilômetros de novas duplicações e 1.331 km de faixas adicionais. Os investimentos em infraestrutura totalizam R$ 91 bilhões, além de R$ 67 bilhões na operação dessas vias.
Pelo cronograma, no primeiro semestre de 2026, o governo vai leiloar três novos trechos: a Rota dos Sertões (BR-116/BA/PE); a Rotas Gerais (BR-116/251/MG) e a Rota Agro Central (BR-070/174/364/MT/RO). Outras três rodovias que tiveram seus contratos otimizados com os atuais concessionários serão oferecidas em leilões simplificados: Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), Rota Arco Norte (BR-163/MT/PA) e Rota do Pequi (BR-060/153/DF/GO).
O calendário eleitoral não mexeu com a programação dos leilões para 2026. Seis deles estão marcados para ocorrer entre fevereiro e junho, enquanto os oito demais devem ser realizados entre julho e dezembro. Entre outubro e novembro, quando ocorrem as eleições no país, estão previstos quatro leilões de rodovias.
Na avaliação do especialista em infraestrutura Mauricio Portugal, sócio do Portugal Ribeiro & Jordão Advogados, a sinalização é de que o plano seja cumprido, mesmo em ano eleitoral. O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), deve deixar o comando da pasta em abril do ano que vem para concorrer ao governo de Alagoas.
"Não acho que o ano eleitoral vai impactar as concessões de rodovias. Se houver algum impacto, tende até a ser positivo, porque o ministro tem usado o resultado dos leilões como mote político para ele", disse.
O calendário fica mais intenso no segundo semestre. Há quatro novos blocos de rodovias que serão leiloados na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Na região Nordeste, será oferecida a Rota 2 de Julho (BR-116/324/BA).
Outros três trechos estão localizados na região Sul do país: Rodovias Integradas de Santa Catarina, Lote 01 (BR-153/282/470/SC), Rodovias Integradas de Santa Catarina, Lote 03 (BR-153/282/480/SC), Rota Integração do Sul (BR-116/158/290/392/RS) e Rota Portuária do Sul (BR-116/392/RS). Mais três concessões atuais com contratos otimizados serão colocadas em leilão: a Rota Litoral Sul (BR-116/376/PR e BR-101/SC), a Rota Planalto Sul (BR-116/PR/SC) e a Rodovia Transbrasiliana (BR-153/SP).
O Ministério dos Transportes pretende fechar os quatro anos do governo Lula com 36 concessões rodoviárias, somando R$ 405 bilhões. Foram dois leilões em 2023 (R$ 30 bilhões de investimentos) e sete licitações em 2024 (R$ 82 bilhões). Neste ano, devem ser concluídos 13 leilões (R$ 135 bilhões). Quando Tarcísio de Freitas estava à frente do então Ministério da Infraestrutura, entre 2019 e 2022, foram seis leilões de rodovias.
Para Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, o cronograma previsto para 2026 mostra que a visão de que as concessões são uma chave para alavancar investimentos públicos e privados tem se consolidado, mesmo em um cenário macroeconômico classificado por ela como complexo. A especialista ressalta que a elevada taxa de juros, em 15% ao ano, não tem afastado o investidor que mira retorno no longo prazo e que o ambiente regulatório também vem sendo trabalhado de forma a trazer mais competição para o setor.
"É um movimento positivo, que tem viabilizado trechos, inclusive, que não são mais o filé do setor, com pacotes de trechos que podem ser mais leves em novos investimentos, mais voltadas à operação e manutenção, por exemplo", diz Cohen.
A previsão de investimentos privados nas rodovias em sete anos, entre 2023 e 2029, é de R$ 218 bilhões. Segundo informações do Ministério dos Transportes, nos últimos 27 anos, de 1995 até 2022, essa cifra foi de R$ 129 bilhões (em valores atualizados).
Folhapress