Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 13 de Novembro de 2025 às 15:16

Mudanças na ordem geopolítica exigem preparação das exportadoras brasileiras, alerta Welber Barral

Barral destaca que a nova ordem geopolítica e o avanço dos acordos bilaterais trazem desafios ao comércio exterior

Barral destaca que a nova ordem geopolítica e o avanço dos acordos bilaterais trazem desafios ao comércio exterior

Guo Cheng/Xinhua/JC
Compartilhe:
Agências
O cenário internacional de comércio caminha para um período de disputas mais acirradas e acordos complexos, o que exigirá das exportadoras brasileiras mais preparo e agilidade estratégica. A avaliação é do Presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Exterior e Investimentos e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil (2007–2011), Welber Barral, que será um dos palestrantes do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior do Sistema Fiergs, nos dias 25 e 26 de novembro, no Teatro FIERGS, em Porto Alegre.
O cenário internacional de comércio caminha para um período de disputas mais acirradas e acordos complexos, o que exigirá das exportadoras brasileiras mais preparo e agilidade estratégica. A avaliação é do Presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Exterior e Investimentos e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil (2007–2011), Welber Barral, que será um dos palestrantes do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior do Sistema Fiergs, nos dias 25 e 26 de novembro, no Teatro FIERGS, em Porto Alegre.
Barral observa que as mudanças na ordem geopolítica e a crescente priorização de acordos bilaterais impõem novos desafios às empresas que atuam no comércio exterior. “As empresas precisam acompanhar as novas regras e acordos, como o Mercosul-EFTA, que já oferece boas oportunidades em mercados como Suíça e Noruega. Também é essencial investir em diversificação e aumento da competitividade, pois o cenário será altamente disputado”, afirma.

Acordo com os EUA não será simples 

Sobre as tarifas de 50% impostas pelos EUA aos produtos brasileiros, Barral considera que um eventual acordo para reduzir a taxação não será simples nem rápido, mesmo com as recentes sinalizações de ambos os presidentes favoráveis à negociação. “As conversas entre os presidentes foram positivas, mas a negociação está apenas começando. Os temas são complexos, como terras raras e comércio digital, e envolvem diversos órgãos do governo. A indústria precisa estar atenta para definir estratégias durante e após o processo”, explica.
Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior, as medidas tarifárias impostas pelos EUA desde julho, associadas a investigações comerciais como as das seções 232 e 301, têm afetado exportações brasileiras e podem ampliar as barreiras a novos setores. “Além disso, o risco maior é o desvio de comércio, com os EUA firmando acordos com outros países e reduzindo a competitividade do Brasil”, alerta.
Apesar do ambiente desafiador, Barral destaca novas oportunidades em mercados alternativos e setores estratégicos. “O Brasil tem vantagens em hidrogênio verde, energias renováveis, data centers e créditos de carbono. Também possui 25% das reservas mundiais de terras raras, mas ainda falta investimento e regulação para explorá-las”, observa.
Além disso, o acordo Mercosul-União Europeia, segundo o especialista, é um dos principais acordos do mundo atualmente e pode ser uma alternativa estratégica. “É um acordo abrangente, que pode reduzir a dependência das tensões entre Estados Unidos e China e atrair investimentos, mas o processo não é imediato. Sua implementação e desgravação tributária pode levar até 15 anos.” 

Notícias relacionadas