Entre 2019 e 2022, o fim da política de valorização do salário-mínimo coincidiu com o aumento do preço dos alimentos, do gás e da energia. “Isso reduziu drasticamente o poder de compra da população de menor renda”, avalia Daniela. Com a retomada da política em 2023 - um dos pilares do terceiro mandato do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, houve melhora, mas a recuperação é lenta.
A Lei 14.663/2023 restabeleceu a política de valorização do salário-mínimo, que considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento do PIB de dois anos anteriores. O reajuste de 2025, de 7,5%, representou um ganho real de 2,6%, com impacto estimado de R$ 81,5 bilhões na economia e R$ 43,9 bilhões de retorno em arrecadação sobre o consumo.
Weiss pondera que, embora positiva, a fórmula atual tem limites. “Ela ajuda a recompor parte das perdas, mas não é suficiente. Crescer acima disso pressionaria muito a Previdência e os custos do País, o que poderia gerar desequilíbrios fiscais”, avalia.
O professor também destaca o papel dos juros altos na limitação do poder de compra das famílias. “Os juros elevados são péssimos para o País. Além de encarecer o crédito e aumentar o custo da dívida, dificultam a ampliação de programas sociais que poderiam auxiliar a população de baixa renda. Isso se soma ao endividamento e reduz a capacidade de consumo”, observa.
No Rio Grande do Sul, o Piso Regional busca adequar a remuneração às condições produtivas locais. Daniela Sandi destaca que o instrumento é importante, mas também insuficiente. “Ele ajuda a garantir uma renda mínima um pouco mais compatível com o custo de vida, mas está longe de assegurar dignidade plena. Porto Alegre continua entre as capitais mais caras do País.”
O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026, enviado ao Congresso, prevê salário-mínimo de R$ 1.631, um aumento de 7,44% sobre o valor atual. Caso confirmado, o reajuste mantém a política de valorização, mas ainda distante do patamar ideal estimado pelo Dieese.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026, enviado ao Congresso, prevê salário-mínimo de R$ 1.631, um aumento de 7,44% sobre o valor atual. Caso confirmado, o reajuste mantém a política de valorização, mas ainda distante do patamar ideal estimado pelo Dieese.