Os impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e questões internas do Brasil como o déficit fiscal, o aumento da tributação e o corte de gastos, que inibem o crescimento do País, foram abordados no Tá na Mesa da Federasul que discutiu o tema "Made in RS: A excelência gaúcha que conquista o Mundo" realizado nesta quarta-feira (15), no Palácio do Comércio, em Porto Alegre.
O presidente do Conselho do Banco Randon e diretor de Relações Institucionais da RandonCorp, Joarez Piccinini, o gerente de estratégia da Marcopolo, Rodrigo Bisi, e o presidente do Conselho de Administração da Docile, Alexandre Heineck, destacaram que outros obstáculos ao desenvolvimento das empresas são a Taxa Selic elevada que impacta a economia e a baixa produtividade combinada com uma alta carga tributária, que inibe o desenvolvimento.
Segundo Bisi, uma grande preocupação das empresas é o "Custo Brasil," que representa cerca de 17% a 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e que prejudica a competitividade das exportações de produtos industrializados, forçando o País a focar em commodities. Já Piccinini aponta que os problemas são maiores aqui no Brasil como, por exemplo, a questão fiscal que impacta mais a economia do que o tarifaço do governo norte-americano.
"As tarifas são importantes e não deveriam ser aumentadas, mas para a nossa atividade, a gente sente mais o impacto do que está acontecendo no Brasil com esse cenário de taxa de juros elevada e a incerteza em relação a um futuro mais próximo", acrescenta o presidente do Conselho do Banco Randon e diretor de Relações Institucionais da RandonCorp.
Conforme Heineck, a Docile sofre bastante com a questão do tarifaço dos Estados Unidos. "O mercado norte-americano é o principal destino dos nossos produtos. A gente mudou bastante a geografia das vendas nos últimos seis ou sete anos e os Estados Unidos se tornaram o principal destino", destaca.
O presidente do Conselho de Administração da Docile diz que tem a crença de que a situação possa ser minimizada com acertos entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. "Temos que ter a disposição de ambos os lados (presidentes Lula e Donald Trump) para que a gente chegue num número mais interessante para continuar fazendo valer a relação bem positiva que temos com os Estados Unidos", acrescenta.
O dirigente afirma, ainda, que a empresa busca novos mercados. "Exportamos para 80 países e parte desse volume a gente redirecionou e renegociamos também com os clientes americanos", destaca. Heineck tem a expectativa de que a questão do tarifaço tenha um fim o mais breve possível. Tanto Piccinini quanto Bisi comentam o fato que as empresas expressam a dificuldade de compensar imediatamente as perdas de mercado nos Estados Unidos, apesar da Randon exportar para mais de 125 países e a Marcopolo para mais de 140 países, devido à natureza de seus produtos como bens de capital e à necessidade de desenvolvimento de distribuição.
Sobre o ambiente econômico no Rio Grande do Sul após as enchentes, Bisi, Piccinini e Heineck concordaram que há desafios logísticos e energéticos. Eles reconheceram os esforços recentes dos governos federal e estadual para dinamizar a economia e promover a inovação no Estado.