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Publicada em 03 de Setembro de 2025 às 17:58

Biosys investe em tecnologia para destinar lodo de esgoto

Irmãos Guilherme (e) e Eduardo, com o fundador da Biosys, Mário Sebben (c)

Irmãos Guilherme (e) e Eduardo, com o fundador da Biosys, Mário Sebben (c)

/Samuel Rodrigues, Divulgação
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
De Caxias do Sul
De Caxias do Sul
A partir de investimento de R$ 10 milhões, dos quais R$ 7 milhões subvencionados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), a Biosys Ambiental está desenvolvendo tecnologia inovadora para destinação final de lodo de esgoto, resíduo proveniente do tratamento de efluentes sanitários. O projeto contempla a criação de uma unidade de produção de energia e subprodutos de valor agregado. Coexecutora do projeto, a Universidade de Caxias do Sul, por meio do Laboratório de Energia e Bioprocessos, tem a responsabilidade de acompanhar os resultados do protótipo em desenvolvimento e comparar com os laboratoriais. 
De acordo com o diretor executivo Guilherme Sebben, atualmente o lodo gerado pelo tratamento dos efluentes sanitários é um passivo, destinado, em sua maior parte, para aterros, e pequena parcela para compostagem. “É um problema social, ambiental e econômico. O desafio é habilitar tecnicamente a solução e viabilizá-la economicamente. O edital da Finep já definia que deveria ser algo disruptivo e com alto grau de risco”, explica.
A duração do projeto é estimada em três anos, mas a direção da Biosys pretende, já no próximo ano, iniciar a destinação do resíduo. De acordo com Eduardo Sebben, diretor da Inovabio – Ecossistema de Inovação, responsável pelo projeto e que integra a Biosys Ambiental, a expectativa inicial era de tratar 100 toneladas mensais do lodo de esgoto. Com a ida ao mercado com a proposta, a empresa identificou a possibilidade de chegar, de imediato, a 35 toneladas diárias de um único cliente do setor privado. “Vislumbramos um horizonte positivo”, resumiu.
A tecnologia de gaseificação é desenvolvida desde 2019, em parceria com a Idra Tecnology, uma startup da Itália. O processo teve início com biomassa com cavacos de madeira, bagaço de uva e caroço de azeitona. No entanto, foi o lodo do tratamento do esgoto sanitário que apresentou o melhor resultado diante dos volumes significativos e do problema ambiental.
A tecnologia em desenvolvimento permitirá várias aplicações para o resultado do tratamento do lodo. Dentre eles, agregação ao cimento, óleo para gerador de energia e gás para retroalimentar o equipamento que faz o tratamento. A água extraída do processo é liberada, sem contaminantes, no meio ambiente. “Com esta característica, desconhecemos algo similar no mundo. A pirólise e a gaseificação são tecnologias conhecidas, mas a combinação delas é uma novidade”, ressalta Eduardo Sebben.
De acordo com Guilherme Sebben, a meta é criar uma nova tecnologia que possa atender todo o Brasil, honrando o compromisso com o Marco Legal do Saneamento. "O objetivo é ter uma unidade de tratamento de lodo que possa ser replicada em várias estações de tratamento de esgoto em cidades de todo o país. De acordo com a evolução, esta unidade poderá ser móvel, abrindo a possibilidade de atender a várias estações de tratamento de uma cidade ou de uma região”, explica.
Empresa amplia áreas de atuação
A Biosys surgiu em 2008, com sede em São Sebastião do Caí, como novo negócio da Datasys, empresa do ramo de informática com mais de 52 anos e sediada em Caxias do Sul. Operou com logística reversa de lâmpadas de mercúrio até 2017, quando a direção identificou que o mercado deixaria de existir com o surgimento da tecnologia LED.
A estratégia foi atuar como unidade de gerenciamento de resíduos industriais, já em linha com as novas práticas de sustentabilidade e políticas de ESG. “Desde então mantemos um crescimento anual de 20%, oferecendo serviços de coleta, transporte, triagem e destinação”, frisa Guilherme Sebben.
Atualmente com 27 funcionários, gerencia em torno de 300 a 400 toneladas mensais de resíduos, a maioria da categoria classe 1, onde se concentram os principais responsáveis por acidentes ambientais críticos. Tem área própria de 10 mil metros quadrados, às margens da RS-122, dos quais utiliza 4,5 mil, incluindo prédio de 1,5 mil.
A Inovabio é uma spin-off da Biosys, criada para o desenvolvimento de novos negócios. “O objetivo é ter novas unidades para a valorização de resíduos, transformando um passivo em algo econômico”, ressalta o diretor executivo.

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