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Publicada em 12 de Agosto de 2025 às 00:25

País busca reduzir dependência em fertilizantes

Comitiva é formada por técnicos, políticos e empreendedores

Comitiva é formada por técnicos, políticos e empreendedores

/jefferson klein/Especial/jc
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Jefferson Klein
Jefferson Klein Repórter
Tanto o Rio Grande do Sul como o Brasil desejam não ficar tão expostos ao cenário internacional e começar a intensificar a produção interna de fertilizantes para diminuir a necessidade de importação desse insumo agrícola. Atualmente, os produtores brasileiros consomem aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo que 90% é importado. O maior parceiro do Brasil nesse campo é a Rússia, seguida da China. Justamente da nação asiática é que pode vir a resposta para reduzir a dependência brasileira da compra no exterior desses fertilizantes. Uma missão brasileira de técnicos, políticos e empreendedores está na China para observar soluções de captura de CO2 e dessulfurização de unidades produtivas aliadas à geração de fertilizantes.
Tanto o Rio Grande do Sul como o Brasil desejam não ficar tão expostos ao cenário internacional e começar a intensificar a produção interna de fertilizantes para diminuir a necessidade de importação desse insumo agrícola. Atualmente, os produtores brasileiros consomem aproximadamente 49 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo que 90% é importado. O maior parceiro do Brasil nesse campo é a Rússia, seguida da China. Justamente da nação asiática é que pode vir a resposta para reduzir a dependência brasileira da compra no exterior desses fertilizantes. Uma missão brasileira de técnicos, políticos e empreendedores está na China para observar soluções de captura de CO2 e dessulfurização de unidades produtivas aliadas à geração de fertilizantes.
Ontem, no primeiro dia de agenda oficial da comitiva brasileira na China, visitou uma planta de coque (um tipo de combustível sólido), da companhia Jianyuan, que conta com a tecnologia da empresa JNG para capturar o CO2 que será gerado na unidade a partir da energia térmica para a produção de vapor.  O responsável pelo projeto da JNG, Zhu Yong, informa que na primeira fase do empreendimento, que está previsto para começar a operar até o final de setembro, irão ser capturadas cerca de 300 mil toneladas de C02 ao ano para produzir sulfato e bicarbonato de amônia que, misturados a outros elementos, significarão no final do processo em torno de 750 mil toneladas de fertilizantes à base de carbono e enxofre.
O projeto final prevê a captura anual de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de CO2 e a coprodução de 2,3 milhões de toneladas de fertilizantes. Essa projeção ainda é inicial e pode ter seu número elevado futuramente. A primeira fase deve implicar um investimento de cerca de 269 milhões de Yuans (o correspondente a cerca de R$ 200 milhões) e, na finalização do projeto, aproximadamente 1,6 bilhão de Yuans (em torno de R$ 1,2 bilhão) de aporte.
A JNG cuida da operação da iniciativa, sendo que os créditos de carbono e os benefícios fiscais pertencem à Jianyuan. Enquanto a JNG compensa os custos de dessulfurização e captura de carbono por meio da venda do fertilizante, serviços como água, eletricidade, gás e vapor necessários para a operação são fornecidos a preço de custo.
O projeto foi designado como de demonstração para "Captura e Utilização de Carbono de Gás de Combustão", apoiado pelo governo chinês. "A China, no setor de fertilizantes, na última década, ela fez mais ou menos o que Juscelino Kubitschek fez na administração dele ou se propôs a fazer, cinquenta anos em cinco", compara o assessor do ministro da Agricultura e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Carlos Polidoro. Ele frisa que o país asiático se transformou em um dos líderes mundiais desse segmento.
Já o Brasil, ao contrário da China, segundo o integrante do Ministério da Agricultura, não desenvolveu tecnologias adaptadas à sua realidade nacional e às condições do agronegócio local. Polidoro comenta que a ideia é seguir o exemplo chinês e começar a desenvolver essas soluções em parceria com eles. O integrante do ministério da Agricultura ressalta que existe a possibilidade de introduzir fábricas de fertilizantes no Brasil, amparadas com a tecnologia chinesa.
"Se nós não investirmos pesadamente na produção nacional de fertilizantes, com inovação tecnológica, em breve o País terá falta do produto ou pagará mais caro", adverte. Ele alerta que aumentará muito o consumo e a logística para importação do insumo é limitada, não permitindo que se incremente muito mais o volume trazido do exterior.
Outra questão a ser levada em conta, aponta Polidoro, é que qualquer oscilação política internacional torna o setor do agronegócio brasileiro em um "gigante com pés de barro", ou seja, muito fragilizado e suscetível a uma queda que acarretaria um grande impacto para a economia. Dentro desse cenário, o tema fertilizantes, de acordo com Polidoro, é estratégico e de segurança nacional.
Além disso, ele acrescenta que a captura de CO2 para a produção de fertilizantes é uma solução que também atende a uma demanda ambiental. Para o integrante do Ministério da Agricultura, o problema do setor de fertilizantes no Brasil é que ele não se sente estimulado a investir, porque era mais fácil importar produtos. No entanto, ele argumenta que subsídios para a entrada de produtos externos foram cortados e se criou um ambiente para o desenvolvimento da produção interna. Outro ponto que precisa ser abordado, reitera ele, é oferecer tecnologia para implementar fábricas no Brasil.
"E vimos isso na China, e o que está se desenvolvendo nesse país pode ser feito no Brasil, principalmente na Região Sul, na área carbonífera, imediatamente", assinala Polidoro. Ele diz que a solução de captura de CO2 e dessulfurização, com a produção de fertilizantes, também pode ser aplicada para além do segmento carbonífero, como é o caso das refinarias de petróleo.
 

Tecnologia pode mitigar o impacto de termelétricas

Geração de energia chinesa tem grande participação de usinas térmicas

Geração de energia chinesa tem grande participação de usinas térmicas

/JEFFERSON KLEIN/ESPECIAL/JC
Muita da geração de energia da China está atrelada à operação de termelétricas, entre as quais as usinas a carvão, e por isso a tecnologia de captura de CO2 de empreendimentos como esses, ocasionando como subproduto fertilizantes, é muito importante para esse país. Para o engenheiro florestal e coordenador do Plano ABC RS da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Jackson Brilhante, alternativa semelhante pode ser adotada no Estado pela termelétrica de Candiota 3.
Ele considera que a produção de fertilizantes é uma excelente oportunidade para o Estado. "São praticamente (em solo gaúcho) 9 milhões de hectares, com culturas (agrícolas) anuais, que demandam uma enorme quantidade de fertilizantes", aponta Brilhante. Essa situação pode, avalia ele, reduzir custos para o agricultor gaúcho ao permitir acesso a uma produção local de fertilizantes.
Brilhante revela que o governo estadual já solicitou à União a participação no conselho nacional que discute a questão dos fertilizantes no País. "O Rio Grande do Sul quer ter uma participação mais ativa nesse tema", afirma o integrante da secretaria da Agricultura.
Ele enfatiza que o Estado constantemente é atingido por secas e, se for possível gerar insumos da cadeia agrícola de maneira local, isso permitirá atenuar esses impactos e contribuirá para que o produtor rural gaúcho mantenha sua produtividade. A aplicação de fertilizantes, assim como outras ações, como a irrigação, pode colaborar com a estabilidade produtiva dos empreendedores vinculados ao agronegócio. "Ter uma produção de matéria-prima dentro do Estado deixa menos vulnerável o produtor rural, tornando-o mais competitivo perante à produção de outras regiões", conclui Brilhante.

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