Entre os temores da indústria de transformação está a possibilidade de demissões sistemáticas e layoffs. Especialmente, em setores que possuem dependência das exportações para o mercado americano, como o de armas de fogo e o de calçados de couro, que enviam aos Estados Unidos, respectivamente, 85,9% e 47,5% da sua produção, conforme a Unidade de Estudos Econômicos da Fiergs.
Uma das possíveis soluções para mitigar os empregos seria pela busca de novos mercados, o que, no entanto, demandaria tempo para acontecer. É o que afirma o advogado tributarista Auro Ruschel. "Temos uma janela neste tempo de resposta e não há como avaliar quanto tempo ela dura. E aí vem a pergunta: o que fazer nesta janela?", avalia.
A medida, entretanto, não é eficaz em todos os setores. "Muitas vezes, tem situações em que os mercados são muito peculiares. Então, não pode nem estocar o produto porque não se sabe exatamente se ele vai ser vendido ou se ele vai ter que ser adaptado ao novo cliente", explica o coordenador do Conselho de Relações do Trabalho (Contrab) do Sistema Fiergs, Guilherme Scozziero.
Um exemplo disso está no setor calçadista: "É uma situação que gera uma preocupação muito grande, porque o calçado exportado para os Estados Unidos tem uma forma diferente que a de outros países, incluindo o Brasil. Muitas marcas já exportam para lá com a marca do cliente. E, nesses casos, o industrial não tem outra alternativa a não ser destruir a própria produção, porque ele não pode comercializar", acrescenta Scozziero.
Neste contexto, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) chegou a estimar uma perda de cerca de 8 mil postos de trabalho diretos no setor. Somando os indiretos, o número pode chegar a 20 mil empregos. No Rio Grande do Sul, a Fiergs aponta que o setor é líder em empregabilidade, registrando 31.555 dos cerca de 686 mil trabalhadores da indústria de transformação gaúcha.