Em baixa de 4,17% no mês, o Ibovespa colheu sua maior perda desde dezembro (-4,28%), interrompendo sequência positiva entre março e junho, quando o impulso assegurado pelo fluxo estrangeiro à B3 levou o índice a renovar máxima histórica, aos 141 mil pontos, já em 4 de julho. De lá para cá, o fluxo externo passou a ser, predominantemente, de saída da Bolsa, tendência que se mostrou mais nítida depois de 9 de julho, sob a ameaça do governo Trump de impor a tarifa de 50% às importações desde o Brasil. Na quarta-feira, veio o relativo alívio do prazo estendido a 6 de agosto para a efetivação do tarifaço, também em parte mitigado pela ampla lista de exceções que isentou aviões, minério, alimentos e petróleo, mas não favoreceu, por exemplo, café e carnes.
Dessa forma, após a percepção inicial de que o pior cenário foi evitado, o ajuste de fim de mês ainda foi negativo, com o índice nesta quinta-feira, em baixa de 0,69%, aos 133.071,05 pontos - pouco acima dos 132 mil, nível de dois dos quatro últimos fechamentos e que não era visto, até então, desde 23 de abril.
Na sessão desta quinta, oscilou dos 132.096,29 aos 133.987,26 pontos, na máxima correspondente ao nível de abertura. Após a recuperação vista na quarta, o giro seguiu nesta quinta-feira a R$ 21,4 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula perda de 0,34% - no ano, sobe 10,63%.
Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, um conjunto de fatores pesam na Bolsa no momento, o que justifica o ajuste negativo neste fim de mês, após um primeiro semestre que foi o melhor para o Ibovespa desde 2016. Os investidores estrangeiros movimentaram R$ 1,4 trilhão em ações no mercado à vista da B3 no primeiro semestre, segundo levantamento da plataforma Datawise , desenvolvida pela B3 em parceria com a Neoway.
Segundo Tavares, na sessão, o mercado ainda digeriu a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o efeito da desidratação das tarifas dos EUA ao Brasil. Além disso, saíram dados sobre a economia brasileira, como o resultado primário do setor público, com déficit pior do que o esperado pelo mercado, acrescenta. "O País tem quadro fiscal difícil há muitos anos. Estamos na expectativa do fiscal ser resolvido, e o fiscal é um dos principais, se não o principal fator de pressão nas expectativas de inflação."
Na B3, não apenas Vale (ON -0,71%) e Petrobras (ON -0,56%, PN -0,40%) encerraram o dia no campo negativo, como também a maioria dos bancos (Bradesco PN -0,83%, BB ON -1,01%, Santander Unit -0,64%), à exceção de Itaú (PN 0,26%) entre as maiores instituições financeiras. Alguns nomes do setor metálico, como CSN (ON 1,01%) e Usiminas (PNA 5,80%), conseguiram se descolar do sinal negativo no fechamento. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Usiminas, destaque também para Embraer ( 5,78%) e TIM ( 3,50%). No lado oposto, Marfrig (-10,20%), BRF (-5,65%), Ambev (-5,25%) e Minerva (-4,45%).
O dólar firmou alta no período da tarde desta quinta após volatilidade com disputa técnica pela taxa Ptax pela manhã, com o real apresentando em julho o seu pior desempenho mensal de 2025, mais especificamente desde novembro de 2024. Há relatos de saída de recursos estrangeiros após entendimento do mercado desde a quarta-feira de que o Federal Reserve pode manter os juros no mesmo nível por mais tempo, enquanto por aqui dados do setor público consolidado mostraram uma piora na dinâmica da dívida.
A queda das commodities e pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrando que a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atinge 50,2%, superando a desaprovação pela primeira vez em 2025, e liderando os cenários da disputa eleitoral de 2026 contra a direita podem ter pressionado o real, segundo operadores.
O dólar à vista oscilou entre
R$ 5,5633 e R$ 5,6243 nesta quinta-feira, fechando em alta de 0,21%, a R$ 5,6008, encerrando julho com uma valorização de 3,07% - a maior desde novembro de 2024.
R$ 5,5633 e R$ 5,6243 nesta quinta-feira, fechando em alta de 0,21%, a R$ 5,6008, encerrando julho com uma valorização de 3,07% - a maior desde novembro de 2024.