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Publicada em 29 de Julho de 2025 às 00:25

Senadores articulam apoio do setor empresarial dos EUA

Senadores querem ainda intermediar uma conversa entre Trump e Lula

Senadores querem ainda intermediar uma conversa entre Trump e Lula

/PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO/DIVULGAÇÃO/JC
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Agências
O grupo de senadores brasileiros que está nos Estados Unidos nesta semana articula uma nova manifestação de empresários para pedir o adiamento das tarifas de 50% sobre produtos importados, previstas para entrar em vigor na sexta-feira.
O grupo de senadores brasileiros que está nos Estados Unidos nesta semana articula uma nova manifestação de empresários para pedir o adiamento das tarifas de 50% sobre produtos importados, previstas para entrar em vigor na sexta-feira.
Trump afirmou neste domingo, que não deve adiar o início das tarifas prometidas aos parceiros comerciais, o que inclui o Brasil.
Segundo o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a comitiva de oito parlamentares, o assunto foi debatido durante reunião com representantes de diversos setores da economia, ontem, em Washington.
A ideia é que a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, onde ocorreu o encontro entre senadores e empresários americanos, faça uma carta direcionada a autoridades dos EUA solicitando uma extensão ao prazo.
"Saiu uma sugestão de um manifesto, uma carta, solicitando a prorrogação desse caso, até porque a classe empresarial precisa de previsibilidade para poder se adequar, principalmente no caso de produtos perecíveis", disse Trad, que também preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, a jornalistas.
"A gente sabe que isso é difícil (estender o prazo), mas o não nós já temos, vamos correr atrás do sim", disse.
Em 15 de julho, a Câmara do Comércio americana, maior associação empresarial do país, já havia tratado publicamente do tema. Em nota assinada com a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), fez um apelo pela negociação em torno das sobretaxas para evitar sua implementação em 1º de agosto. O órgão diz que 6.500 pequenas empresas seriam impactadas nos EUA.
"A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos", afirmou a câmara.
Participaram da reunião desta segunda empresas que representam os setores petroleiro e de energia, farmacêutico, agro químico, siderúrgico, transporte e tecnologia.
Estão na lista das que se reuniram com os senadores: Cargill, Caterpilar, DHL, Exxon Mobil, Gilead Sciences, IBM, Johnson & Jonhson, Kimberly-Clark, Merck, Novelis, S&P Global, Shell Usa, The Dow Chemical, Company, TSEA e Vantive.
Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), também foi solicitada à Câmara de Comércio que ajude a intermediar uma conversa entre o presidente Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para avançar na negociação das tarifas.
A comitiva de senadores é presidida por Trad e formada por oito senadores, sendo dois ex-ministros de Jair Bolsonaro: Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).
O grupo ainda tem o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), Carlos Viana (Podemos-MG), Rogério Carvalho (PT-SE), Esperidião Amin (PP-SC), e Fernando Farias (MDB-AL).
Mais cedo, os senadores tiveram reunião com integrantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

Trump deve assinar base legal nos próximos dias

Nos próximos dias, é esperado que o presidente Trump assine uma ordem executiva com as justificativas legais para tarifar o Brasil em 50%, conforme relatos na imprensa. Isso porque a investigação do Escritório de Representação de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) para apurar práticas comerciais injustas no Brasil, com o mesmo objetivo, poderia consumir mais tempo.
Lula afirmou na sexta-feira que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), liga todos os dias para interlocutores americanos para conversar sobre a tarifa de 50% que será aplicada aos produtos brasileiros, mas que ninguém o atende. O governo brasileiro já teve dez reuniões com os EUA, segundo o presidente.
"Reiteramos que a soberania do Brasil e o estado democrático de direito são inegociáveis. No entanto, o governo brasileiro continua e seguirá aberto ao debate das questões comerciais, em uma postura que já é clara também para o governo norte-americano", afirmou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em nota, na noite deste domingo, 27.
Na prática, nenhum avanço foi alcançado para evitar o tarifaço ao Brasil a partir de sexta-feira. Ao contrário, nos bastidores, há o temor de que Trump adote mais sanções contra o Brasil no campo diplomático ou financeiro.

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