A escolha em investir no Rio Grande do Sul levou em consideração a competitividade do Estado no setor de celulose, garantiu Antonio Lacerda. "É aqui onde o eucalipto melhor se desenvolve no Brasil e onde temos a melhor produtividade, o que também se traduz em competitividade. Também tem a questão da mão de obra, que é mais preparada e qualificada aqui do que em muitas regiões do País. Isso faz com que tenhamos uma maior retenção de pessoas e mais atratividade, o que para nós é fundamental", considera.
A CMPC é uma empresa chilena presente em oito países do mundo. No Brasil, possui plantas industriais em diversos estados, mas a produção de celulose é concentrada no território gaúcho. Ela gerencia, hoje, mais de 500 mil hectares de terra no Rio Grande do Sul, dos quais mais de 200 mil hectares estão com áreas preservadas. Parte deles é em área própria da indústria e outra porção de terceiros.
Enquanto os custos de produção no Brasil já são mais baixos do que na maioria dos países, devido à produtividade da silvicultura nacional, o Rio Grande do Sul possui dados ainda mais interessantes. Principalmente, ao considerar que, conforme apresentado por Lacerda, 43% dos custos de produção de celulose são ligados à madeira.
"Tem lugares no Brasil onde se produz 30 a 35 metros cúbicos de madeira por ano. Quer dizer, a árvore cresce e essa floresta produzirá no futuro entre 30 e 35 metros cúbicos de madeira por ano. Aqui no Rio Grande do Sul, a média da CMPC chega a 42 metros cúbicos de madeira por hectare por ano. Então, além do Brasil ser muito competitivo, o Rio Grande do Sul é o mais competitivo do Brasil", avalia o executivo.
A tendência estimada por Lacerda, aliás, é a de que a silvicultura e projetos derivados do plantio de espécies como eucalipto, pinus e acácia negra cresçam. "O setor florestal movimenta mais de R$ 200 bilhões no Brasil e isso tende a crescer, até pela competitividade que a produção de celulose tem aqui no Brasil, especialmente, comparado com outros países do mundo", apontou durante a palestra na Fiergs.