A atividade metalmecânica dos 17 municípios da região de abrangência do Simecs exportou, no ano passado, o equivalente a US$ 1,4 bilhão, sendo 23% para os Estados Unidos. Caxias do Sul, com US$ 129 milhões e Carlos Barbosa, com US$ 106 milhões, são os maiores exportadores, com destaque para a cutelaria, que alcançou US$ 57 milhões, mais de 22% do valor total.
Por segmento, o metalmecânico exportou US$ 160 milhões; ferramentarias, US$ 40 milhões; automotivo, US$ 30 milhões; acessórios metálicos de móveis e eletroeletrônicos, US$ 10 milhões cada. Por produtos, além da cutelaria, destacam-se pastilhas de freio e cilindros para guindastes, com casos de empresas exportando até 40% da produção para os Estados Unidos. Já as importações totais somaram, no ano passado, US$ 700 mil, com participação de apenas 3% dos Estados Unidos, equivalente a US$ 22 milhões.
O vice-presidente do Simecs, Rubens Bisi, argumenta que a tarifa de 10% anunciada em abril foi considerada administrável pelas empresas do setor. Já o índice de 50%, assim como o de 30%, é considerado inviável. "A situação é complicada e tende a piorar com o pedido de investigação pelos Estados Unidos com base na seção 301 e na recente manifestação da Otan, questionando o governo brasileiro sobre as relações com a Rússia. Como a maioria dos países integrantes da organização são europeus podemos ter problemas por lá também", alertou.
No entendimento do dirigente, o governo não está atuando adequadamente e tem dificuldades em abrir canais de negociação. "Os Estados Unidos sequer nomearam novo embaixador para o Brasil e os dois presidentes ainda não se falaram. O momento é de restabelecer as relações e reduzir o tensionamento, que é muito forte. O melhor a fazer é negociar, seguindo exemplo da China e de outros países. Mas é preciso reconhecer que não será nada fácil, até porque há uma afronta pessoal", acrescenta.
Como forma de fazer frente aos impactos, empresas já iniciaram a redução de compras de insumos e programação de férias, considerando especialmente a dificuldade de redirecionar vendas para outros mercados. Segundo Bisi, a região tem presença marcante e ativa em vários países. "Os manufaturados têm uma situação diversa das commodities, que são de mais fácil recolocação. Os produtos vendidos para os Estados Unidos são, em sua maioria, homologados e específicos para atender as regras e o gosto do mercado local", reforça.
Como preocupação complementar, Bisi cita a situação dos produtos embarcados, pois a carta do governo dos Estados Unidos não deixa claro qual data será considerada para efeitos de taxação.