A atuação do Levante Popular da Juventude vai muito além da distribuição de alimentos. Um dos pilares da organização é a construção da autonomia popular por meio da educação. É nesse contexto que surge a Jornada de Alfabetização "Sim, eu posso!", projeto inspirado na pedagogia de Paulo Freire e no método cubano de ensino desenvolvido pelo Instituto Pedagógico Latino-Americano e Caribenho (IPLAC), em Cuba, na década de 1990.
O método combina letras do alfabeto com números, facilitando a memorização e o aprendizado. No Brasil, ele é utilizado desde 2006 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), como uma estratégia concreta para erradicar o analfabetismo. As aulas, ministradas com base em vídeo aulas contextualizadas, permitem que os educandos reconheçam, construam e escrevam palavras e frases.
"É um processo delicado porque muitas pessoas sentem vergonha por não saberem ler e escrever. Elas acham que não são capazes, que passou o tempo delas. Mas o método é pensado para acolher desde quem nunca segurou um lápis até quem está retomando o aprendizado." Relata Mariana Dambroz, uma das educadoras do curso.
As turmas de alfabetização estão sendo organizadas em diversas regiões de Porto Alegre: no Coletivo Olufé, no bairro Glória; na Associação de Mulheres Maria da Glória, no Morro da Cruz; e no Projeto Pedreira, que já está finalizando um ciclo no bairro Cristal.
"A gente entende que a fome também é de direitos, de acesso à cultura, à leitura, à consciência. Por isso, além da comida, queremos construir processos educativos nos territórios", explica Mariana.
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A Jornada "Sim, eu posso!" reafirma o compromisso com a educação popular como instrumento de emancipação e autonomia. Alfabetizar é, também, romper com o ciclo de exclusão, devolvendo a dignidade de um povo a partir da transformação social.