Em 1942, a Segunda Guerra Mundial estava a pleno vapor na Europa. Nesse contexto, o Brasil, sob o governo do gaúcho Getúlio Vargas, decidia ingressar no conflito apoiando os Aliados (grupo formado por França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética) na batalha contra o Eixo (Alemanha, Itália, Japão). Por isso, iniciou uma espécie de repressão governamental contra imigrantes das nacionalidades adversárias, proibindo, inclusive, que falassem seus idiomas originais.
O Rio Grande do Sul, marcado pela imigração de alemães e italianos, acompanhava os ânimos da política varguista. E, em Porto Alegre, o impacto foi visto no comércio, que ainda buscava se recuperar da enchente de 1941, a segunda maior do Estado, superada apenas pela de 2024.
Naquele ano, um quebra-quebra generalizado irrompeu na Rua da Praia, gerado pela ira de populares contrários aos estabelecimentos dos alemães e italianos — ou geridos por seus descendentes. O movimento iniciou pela confeitaria Woltmann e nas Casas Lyra, com uma expansão posterior.
A Óptica Foernges estava na rota. Entretanto, uma figura apaziguou os ânimos e protegeu a óptica: o comandante da Brigada Militar Walter Peracchi Barcellos, que se tornaria governador do Estado em 1966. "Começaram a apedrejar, destruir e roubar todas as empresas com nome alemão. E o Peracchi Barcellos veio a cavalo com uma tropa, colocou aqui na frente (da loja) e não deixou ninguém apedrejar. É algo que (meus familiares) falavam muito. Temos que agradecer a ele por ter feito isso aqui na nossa empresa", relembra Bruno.