A meta do governo estadual, de acordo com a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, é enviar ainda neste ano para a Assembleia Legislativa a proposta de uma política quanto ao desenvolvimento do setor de hidrogênio verde no Rio Grande do Sul. A iniciativa busca definir marcos para o segmento e abordar questões sobre a possibilidade de aceleração de licenciamentos e disponibilidade de programas específicos de incentivos fiscais.
“Assim como a conexão de tudo isso com o Plano Rio Grande e com o projeto de descarbonização do Estado”, complementa Marjorie. A secretária frisa que o Rio Grande do Sul tem um enorme potencial para a geração de energia renovável (mais de 80% da matriz elétrica gaúcha é constituída de fontes limpas), o que beneficia a produção de hidrogênio verde. Ela recorda que a energia representa aproximadamente 70% do custo de implantação de projetos desse combustível.
Para o sócio-diretor da Noale Energia, Frederico Boschin, a estipulação de uma política sobre o hidrogênio verde é algo importante. Ele argumenta que, por se tratar de um novo vetor energético global, todas as ações incipientes dessa nova tecnologia precisam partir de um impulso governamental. “É fundamental proporcionar bons ambientes de negócios, de atração de investimentos, de regulação e incentivos de tributação, além de estimular a formação de mão de obra”, aponta o representante da Noale Energia.
Boschin comenta que uma das dificuldades para o desenvolvimento do mercado de hidrogênio verde é o custo do transporte do combustível. Devido a essa questão, um facilitador é a construção de plantas de hidrogênio verde próximas a portos, para exportar o produto, ou do seu local de uso, como é o caso do meio rural e a amônia verde (insumo da cadeia dos fertilizantes agrícolas originado do hidrogênio).
Atualmente, dois projetos de produção de amônia verde estão tramitando na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para obter o licenciamento prévio ambiental. Tratam-se de unidades que a empresa Begreen pretende construir em Passo Fundo e Tio Hugo. O diretor de operações da companhia, Luiz Paulo Hauth, acrescenta que, além dessas duas fábricas, há outro empreendimento da mesma natureza a ser realizado em Condor. O processo de licenciamento dessa estrutura deve ingressar na Fepam ainda neste primeiro semestre.
Hauth informa que, depois de resolvidas as questões de licenciamento e financiamento, em 20 meses será possível operar as plantas de amônia verde. No momento, o investimento para erguer as três unidades é estimado entre R$ 160 milhões a R$ 165 milhões. O integrante da Begreen explica que o fator cambial está impactando a projeção de aporte. As três plantas somadas terão uma capacidade de produção de cerca de 8 mil toneladas de amônia verde anidra por ano.