O Rio Grande do Sul, que tem mais de 80% da sua matriz elétrica renovável, ainda possui muita capacidade a ser desenvolvida nas áreas eólica, solar, hídrica e de biomassa (matéria orgânica), indica o assessor do departamento de energia da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Eberson Silveira. "O Rio Grande do Sul é um estado diferenciado no Brasil, porque tem um enorme potencial em todas as fontes e o mapeamento delas", reforça o especialista.
Ele considera que os gaúchos têm condições de, futuramente, ser autossuficientes na questão da geração e consumo de energia elétrica (já que hoje "importam" em torno da 30% de geração, para atender à sua demanda, de outras regiões do País). No entanto, o tempo que levará para alcançar essa meta, ressalta Silveira, dependerá do apetite do mercado.
O sócio-diretor da Noale Energia, Frederico Boschin, confirma que o Rio Grande do Sul tem a oportunidade de crescer na energia eólica, já que o Nordeste, que é o maior centro brasileiro de geração de energia a partir dos ventos, está enfrentando dificuldades para escoar essa energia por carência na estrutura de transmissão. Quanto à situação das fontes de energia em âmbito nacional, Boschin cita que, além das renováveis, o Brasil está demonstrando interesse em recursos fósseis, como o caso do gás natural. "O País não pode abrir mão de sua riqueza, mas tem que fazer isso de uma maneira responsável", argumenta o sócio-diretor da Noale Energia.
Já o diretor do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari, acrescenta que é preciso colocar "no radar" o potencial de geração de energia do Estado. Ele recorda que, na última década, foram feitos investimentos bilionários na área de transmissão no Rio Grande do Sul que agora precisam ser aproveitados para escoar a geração de novas usinas.