Se na Suécia o tema central será novas tecnologias, na Holanda um dos fatores de atenção por parte da missão gaúcha formada por integrantes do governo do Estado e da prefeitura de Porto Alegre será uma antiga resposta para a prevenção de enchentes: diques e comportas. Apesar de não ser uma novidade no mundo, o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Bruno Vanuzzi, comenta que é preciso avaliar quais mecanismos poderão ser aproveitados para cenário brasileiro.
A delegação gaúcha começa a sua agenda de atividades nos Países Baixos a partir de sexta-feira. O dirigente antecipa que as principais soluções a serem analisadas deverão estar na área de diques e comportas, porque são "as especialidades" da Holanda, que tem grande parte do seu território abaixo do nível do mar, então estão acostumados com o tema da estanqueidade (impedir vazamentos).
"Casa de bombas talvez não seja o que a gente vai ver de mais interessante lá, porque casa de bombas é para proteção contra alagamentos e não contra inundação", aponta o diretor-geral do Dmae.
Ele explica que o alagamento é a água que acumula com a chuva e a inundação é a invasão de águas provenientes de rios ou mar, ou seja, são problemas diferentes. Porém, mesmo que o foco seja o enfrentamento das enchentes, Vanuzzi diz que também deverão ser apresentadas medidas contra alagamentos.
O dirigente destaca que é importante conhecer as estratégias de um país que tem muita experiência quando o assunto é inundação e que conseguiu vencer essa batalha. Ele cita que o objetivo da viagem é avaliar quais são os desafios operacionais e de implantação de contramedidas, porque às vezes uma determinada ação pode ser robusta, mas pode apresentar uma dificuldade de implantação em outro contexto, seja por algum motivo ambiental ou financeiro.
Vanuzzi lembra que também participará das visitas técnicas na Holanda o professor e consultor da Rhama Analysis, Carlos Tucci, que coordenou o projeto de elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana de Porto Alegre e faz estudos para aprimorar o sistema de proteção de cheias da Capital. "Queremos entender o que é mais adequado para os problemas que nós temos", reforça Vanuzzi.
Segundo o diretor-geral do Dmae, é preciso levar em consideração a questão da compatibilidade da operacionalidade dos mecanismos usados. Ele adverte que se a operação for totalmente automatizada, computadorizada, seria mais difícil implementá-la na realidade atual do Brasil, devido a um elevado custo de manutenção. Vanuzzi sustenta que a necessidade local é de estruturas robustas e de fácil operação.