A maior controvérsia relativa ao leilão da ANP marcado para junho refere-se à inserção de 47 áreas de exploração na Bacia da Foz do Amazonas. O Instituto Internacional Arayara alerta que a exploração petrolífera na área traz riscos de vazamentos, que poderiam devastar espécies endêmicas e afetar comunidades locais dependentes desses recursos.
"Abrir novas fronteiras petrolíferas na Amazônia é escolher o combustível do passado e eliminar assim condições que garantam um futuro e, portanto, a própria vida”, adverte o doutor em Riscos e Emergências Ambientais e diretor técnico do Arayara, Juliano Bueno de Araújo. Na quarta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a prospecção de petróleo na Bacia Foz do Amazonas e reclamou da falta de autorização do Ibama para estudos de viabilidade técnica da área pela Petrobras. A solicitação da estatal é para perfurar um poço na chamada Margem Equatorial (região que se estende entre os litorais do Amapá e Rio Grande do Norte).
"Se depois a gente vai explorar é outra discussão. O que a gente não pode ficar é nesse lenga-lenga. O Ibama é um órgão do governo, parecendo que é um órgão contra o governo", afirmou Lula em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá (AP). Sobre a possibilidade de que eventuais questionamentos judiciais quanto à oferta dos blocos na Foz do Amazonas interrompam todo o certame, afetando inclusive as áreas que serão leiloadas na Bacia de Pelotas, o diretor da consultoria ES-Petro, Edson Silva, considera difícil essa hipótese e salienta que são casos separados.
No entanto, ele enfatiza que é obrigação tomar todas as medidas possíveis para preservar o meio ambiente também na costa gaúcha. O engenheiro ambiental do Instituto Internacional Arayara, John Fernando de Farias Wurdig, complementa que a Bacia de Pelotas é uma área sensível ambientalmente. “A gente tem uma riqueza enorme de biodiversidade marinha no litoral do Rio Grande do Sul, apesar de muitas vezes não ser visível”, assinala.
Wurdig acrescenta que, em 2019, o Ibama chegou a negar uma licença para a perfuração de um poço na bacia, que seria realizada pela Petrobras. O último poço feito na região foi em 2001. No entanto, o integrante do Arayara antecipa que, se houver muitas dificuldades para que as petrolíferas explorem o entorno da Foz do Amazonas, a atenção dessas companhias e do governo em cima da Bacia de Pelotas deve aumentar.