Depois de realizar os mapas eólicos, solar e de biomassa (matéria-orgânica), o governo gaúcho está finalizando o seu atlas hidroenergético. Conforme a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, o lançamento desse estudo deverá ocorrer nos primeiros meses de 2025.
“Esperamos com isso ter subsídio para que a gente possa revisitar a nossa matriz hídrica”, enfatiza a secretária. Hoje, a hidroeletricidade é responsável por cerca de 40% da capacidade de geração de energia do Rio Grande do Sul. O presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Renato Chagas, ressalta também que a ferramenta dará mais fundamentação para liberar ou não licenciamentos ambientais nessa área.
Já no campo eólico, em que o Estado possui um mapeamento estabelecido do seu potencial (mais de 100 mil MW no onshore - em terra -, com ventos acima de 7 metros por segundo a 100 metros de altura), o diretor do Sindienergia-RS Guilherme Sari cita como diferencial do Rio Grande do Sul a segurança jurídica para realizar investimentos.
O presidente da Frente Parlamentar PróEnergias Renováveis na Assembleia Legislativa, deputado Frederico Antunes (PP), acrescenta como atrativo a mão de obra qualificada. “A indústria de energia no Rio Grande do Sul é consolidada, porém com grande futuro”, prevê.
Por sua vez, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, enfatiza que o governo gaúcho tem trabalhado na simplificação, desburocratização e facilitação de negócios no Estado. Ele argumenta que a estruturação da Agência de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Invest RS) auxiliará nesse processo.
O presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, destaca que nesta quarta-feira a agência completou uma semana de operação presencial. “Estamos, literalmente, em processo de estruturação”, diz. Prikladnicki adianta que uma prioridade da instituição será a transição energética.
Quanto às condições de acesso a recursos, o presidente do Brde, Ranolfo Vieira, informa que o banco liberou financiamentos na ordem de R$ 898,5 milhões para empreendimentos de geração e transmissão de energia limpa e renovável no ano passado. Contudo, ele admite que o Rio Grande do Sul, como outros estados da região Sul, enfrenta uma disputa desequilibrada com o Nordeste brasileiro, que pode contar com aportes do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).