Nesta quarta-feira (13), a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marjorie Kauffmann, chega em Baku, no Azerbaijão, para representar o governo do Rio Grande do Sul na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP29), que se estenderá até o dia 22 de novembro. Um dos destaques para o Estado durante o evento, apontado pela dirigente, será a apresentação do seu Roadmap Climático, mecanismo que estabelecerá um banco de dados para subsidiar o governo no desenvolvimento de políticas públicas de mitigação, adaptação e resiliência à mudança climática.
Jornal do Comércio (JC) - Qual a expectativa da participação do Rio Grande do Sul na COP29?
Jornal do Comércio (JC) - Qual a expectativa da participação do Rio Grande do Sul na COP29?
Marjorie Kauffmann - Agora a gente reforça ainda mais a questão da adaptação e resiliência, entrando como exemplo de recuperação de tudo que ocorreu no nosso Estado (enchentes) e de como nós reagimos a tudo isso. Este ano também terá o lançamento do nosso Roadmap Climático (plataforma que, entre outras funções, irá mapear as ações dos municípios gaúchos relacionadas às mudanças climáticas), que nasceu na semana do clima de Nova York e é financiado pelo Under2 (coligação de governos subnacionais que visa alcançar a mitigação das emissões de gases do efeito de estufa).
JC - Que outras agendas serão mantidas durante o evento?
JC - Que outras agendas serão mantidas durante o evento?
Marjorie - Chegamos na quarta-feira e já iniciamos com uma reunião com o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, para que a gente possa alinhar algumas diretivas. Os nossos painéis acontecem em vários momentos, tanto na COP como em eventos paralelos. Ainda na quarta-feira teremos um encontro do pacto global da ONU, que incentiva empresas privadas a aderirem às metas (de redução de emissões). Depois seguem painéis com o Ministério de Meio Ambiente e estamos na expectativa, muito grande, da forte participação nesta COP do Codesul, que é o consórcio dos estados do Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul). Esse ano levamos um tema que é de suma importância para o Estado que é a unificação das salas de situação e da governança da Defesa Civil.
JC - Como a senhora vê a atuação do Rio Grande do Sul após a catástrofe climática que atingiu o Estado?
JC - Como a senhora vê a atuação do Rio Grande do Sul após a catástrofe climática que atingiu o Estado?
Marjorie - O Rio Grande do Sul é um ‘case’ não apenas pela catástrofe, mas pela mobilização que promovemos para a retomada e o tempo dessa retomada, tendo em vista o tamanho do impacto. Acho que o Rio Grande do Sul tem se saído muito bem, aliando o desenvolvimento e a proteção ambiental, e agora com o foco máximo na adaptação e resiliência.
JC - Como está a questão da revisão do inventário de emissões do Estado (diagnóstico das fontes e do volume de emissões de gases de efeito estufa –GEE)?
JC - Como está a questão da revisão do inventário de emissões do Estado (diagnóstico das fontes e do volume de emissões de gases de efeito estufa –GEE)?
Marjorie - A revisão do nosso inventário de emissões vai ficar pronta na metade do próximo ano. Estará ajustado com a real emissão das atividades produtivas do Rio Grande do Sul. E estamos mapeando as emissões através de um edital que lançamos junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que visa criar mecanismos de mensuração de emissões absolutas, especialmente na pecuária, mas também em outros sistemas produtivos e agrícolas.
JC - Qual assunto, em geral, deve ser predominante nessa edição da COP?
JC - Qual assunto, em geral, deve ser predominante nessa edição da COP?
Marjorie - A questão da adaptação eu acho que vai superar todos os temas da COP, porque estamos falando da adaptação para a sobrevivência de uma espécie em um planeta. Acredito que a conferência vai abordar esse aspecto e também a multiplicação das boas práticas, tendo em vista que estamos acompanhando eventos climáticos extremos em todas as partes do mundo. Locais que têm sofrido fenômenos com intensidade e abrangência como o nosso Estado tornam-se ‘cases’ para que a gente possa apresentar ações que funcionaram e não funcionaram.