Mesmo avançando etapas e contando com o apoio de políticos como o ministro Paulo Pimenta (PT) e o senador Luis Carlos Heinze (PP), além do presidente da Fiergs, Claudio Bier, a iniciativa do Porto Meridional de Arroio do Sal está longe de ser uma unanimidade no Rio Grande do Sul. Entre os questionamentos feitos ao empreendimento estão fatores como uso de recursos públicos, impactos ambientais e reflexos que a operação irá acarretar no outro porto marítimo do Estado, o de Rio Grande.
A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), que reúne 23 prefeituras da região Sul gaúcha, foi uma das entidades mais enfáticas ao manifestar, conforme nota, “sua preocupação e rejeição à recente aprovação do projeto de construção do Porto Meridional em Arroio do Sal, anunciado pelo governo federal”. A presidente da Azonasul e prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), frisa que o Porto de Rio Grande já tem uma infraestrutura robusta e eficiente. “Qual é a lógica de criar um novo porto quando temos uma capacidade ociosa significativa aqui?”, indaga Paula.
Outra crítica da associação é que, apesar do projeto do porto em Arroio do Sal ser capitaneado por investidores privados e desenvolvido pela empresa DTA Engenharia, há a previsão de um apoio de mais de R$ 1 bilhão em recursos do governo federal para a realização do complexo.
Essa observação também é feita pelo vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antonio Carlos Bacchieri Duarte.
Essa observação também é feita pelo vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antonio Carlos Bacchieri Duarte.
“O que não está certo, no nosso ponto de vista, é o investimento público”, considera o dirigente. Ele ressalta que a Federasul é favorável a qualquer empreendimento privado, porém, quando envolve também aportes públicos, para Bacchieri há outras prioridades a serem contempladas como, por exemplo, a duplicação da BR-290.
Quanto aos reflexos que um novo complexo portuário pode acarretar na operação do Porto de Rio Grande, o dirigente admite que afetaria, mas faz a ressalva que a estrutura da Metade Sul já tem uma atividade consolidada e capacidade de expansão. Bacchieri considera que o segmento que seria mais afetado no complexo rio-grandino é o da movimentação de contêineres. Essa situação pode ocorrer já que a parte Norte do Rio Grande do Sul é mais industrializada e pode optar por transportar mercadorias por um local mais próximo e que evitaria os pedágios que estão situados no Sul gaúcho.
Entre algumas dificuldades para a atividade em Arroio do Sal, o integrante da Federasul cita a ausência de malha ferroviária e de hidrovias. Além disso, ele ressalta os impactos ambientais de um empreendimento como esse, assim como dúvidas sobre a capacidade das rodovias da região suportar o trânsito de carga pesadas. “Tudo é energia sendo colocada em uma coisa que não parece prioritária”, aponta o dirigente.
Bacchieri recorda que o projeto do porto uruguaio de Rocha, que é discutido há mais de uma década, mas até hoje nunca saiu do papel, prevê implantar, como o porto de Arroio do Sal, sua estrutura em uma praia, sem uma proteção natural das condições do mar (como Rio Grande, que conta com a Lagoa dos Patos). Essa situação, alerta o vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, aumenta a complexidade ambiental desses projetos.
Um especialista em logística do Rio Grande do Sul, que prefere não revelar o nome, considera que todo investimento privado é bem-vindo, contudo ele também aponta que um problema do projeto em Arroio do Sal é a questão da previsão de aportes públicos. “Eu não acredito que o governo federal, com problemas de orçamento, falta de receita para cobrir despesas, queira abrir um novo custo em uma obra estrutural, tirando do caixa dinheiro que precisava ser destinado a escolas, hospitais ou rodovias, ferrovias e portos existentes”, diz a fonte. Para esse agente logístico, o porto de Arroio do Sal também está servindo como “palanque político”.