Apesar do tema do horário de verão não se restringir apenas à economia de energia, envolvendo tópicos como atividades de bares e restaurantes, companhias aéreas e cotidiano das pessoas, para a CEEE Equatorial e RGE esse é um assunto que tem que passar pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O órgão é responsável pela coordenação e controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Questionada sobre a retomada ou não do horário de verão, algo que está sendo cogitado pelo governo federal, a RGE respondeu em comunicado que a matéria tem que ser direcionada ao Operador Nacional do Sistema. Já o presidente da CEEE Equatorial, Riberto Barbanera, enfatiza que é necessário analisar tecnicamente o efeito da medida hoje, com todas as variáveis que são diferentes às do passado e, conforme ele, é o que os técnicos do ONS estão fazendo.
O dirigente recorda que, no caso da distribuidora gaúcha, no passado o pico de carga elétrica era verificado por volta das 18h às 20h, que era quando as pessoas chegavam em casa, para tomar seu banho e acionavam o chuveiro elétrico. Além disso, somava-se o acendimento da iluminação pública, que ocasionava uma coincidência de demanda, que justificava o horário de verão.
"Mas, o nosso perfil de carga mudou muito", salienta o presidente da CEEE Equatorial. Barbanera detalha que, com as temperaturas mais elevadas e mais pessoas com acesso aos aparelhos de ar condicionado, no caso da concessionária, o pico de demanda não ocorre mais às 18h, ele acontece por volta das 14h às 15h.
De acordo com nota publicada recentemente pelo ONS, sob o ponto de vista da economia, a volta do horário de verão, no Brasil, poderá trazer uma redução de até 2,9% da demanda máxima e uma economia no custo da operação próxima a R$ 400 milhões entre os meses de outubro e fevereiro. No entanto, quando o horário de verão foi suspenso no País, em 2019, o Ministério de Minas e Energia havia informado que, como nos últimos anos houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, a medida "deixou de produzir os resultados para os quais essa política pública foi formulada".
Em entrevista para a revista IstoÉ, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, revelou que a decisão sobre o retorno do horário de verão deve ser tomada nos próximos dias e disse que essa política seria útil para melhorar o planejamento de 2025. Antes da sua interrupção, o horário de verão era implementado a partir da zero hora do primeiro domingo do mês de novembro de cada ano, até a zero hora do terceiro domingo do mês de fevereiro do ano subsequente, em parte do território nacional, ocasionando o adiantamento dos relógios em uma hora.
Os estados que normalmente aderiam à iniciativa eram o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.