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Publicada em 18 de Setembro de 2024 às 20:53

A bravura e a participação dos Lanceiros Negros

Lanceiros Negros também foram protagonistas na Revolução Farroupilha

Lanceiros Negros também foram protagonistas na Revolução Farroupilha

/Vasco Machado/Reproduçao/JC
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Juliano Tatsch
Juliano Tatsch Editor-assistente
A participação do povo negro na Revolução Farroupilha ficou marcada por parte dos combatentes que atuavam com lanças. Era um grupo que se destacava e ficou conhecido como Lanceiros Negros.
A participação do povo negro na Revolução Farroupilha ficou marcada por parte dos combatentes que atuavam com lanças. Era um grupo que se destacava e ficou conhecido como Lanceiros Negros.
Apesar de ter sido escrita por incontáveis atos de bravura e coragem, a Revolução Farroupilha também carrega a mancha de uma das passagens mais tristes da história do Rio Grande do Sul. Era novembro de 1844, a guerra já se arrastava há nove anos e se encaminhava para o final, com negociações de paz em andamento. Na madrugada do dia 14, em Cerro de Porongos, área que hoje pertence ao município de Pinheiro Machado, uma emboscada realizada pelas tropas imperiais comandadas por Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, dizimou um grupo com centenas de soldados negros que faziam parte do grupo liderado por David Canabarro.
Uma corrente de historiadores defende que Canabarro teria facilitado o ataque imperial, tendo sido previamente avisado do avanço dos inimigos e desarmando os soldados negros, deixando-os à mercê do massacre que ocorreu. Não há certeza acerca dos motivos que teriam levado o general Farrapo a trair seus soldados. Documentos e relatos orais indicam que Canabarro desejava o fim do conflito, e a derrota em Porongos enfraquecia os Farrapos, facilitando a assinatura da paz. O historiador Moacyr Flores aponta que os negros foram traídos porque o comandante das forças imperiais, o Barão de Caxias, tinha ordens de não lhes conceder anistia. Assim, com a eliminação dos negros, um dos principais entraves às conversações de paz deixaria de existir.
A exigência da libertação dos negros feita pelos Farroupilhas não era aceita pelo Império, que não queria antecipar um movimento abolicionista no País, o que impactaria sobremaneira a economia cafeeira e da cana de açúcar. Há correntes de historiadores que indicam que não houve traição por parte da Canabarro e que ele teria sido pego de surpresa pelo ataque. Uma carta supostamente escrita por Caxias para Moringue indicando um ataque é o documento mais forte da tese da traição, pois, no texto, Caxias apontava que o cenário havia sido combinado com Canabarro. Esses pesquisadores questionam a autenticidade da carta, que poderia ter sido forjada para desacreditar a figura do general Farroupilha.
 

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