Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 18 de Setembro de 2024 às 20:53

A transformação que colocou o gado no centro da economia do RS

Carne produzida no Estado era tributada até nas vendas para outras províncias do País, onde predominavam café e cana de açúcar

Carne produzida no Estado era tributada até nas vendas para outras províncias do País, onde predominavam café e cana de açúcar

/José Lutzenberger/Acervo Margs/Reprodução/JC
Compartilhe:
Juliano Tatsch
Juliano Tatsch Editor-assistente
O Rio Grande do Sul passou por uma profunda transformação em sua economia no começo do século 19, com os campos de trigo perdendo espaço e relevância para a pecuária de corte.
O Rio Grande do Sul passou por uma profunda transformação em sua economia no começo do século 19, com os campos de trigo perdendo espaço e relevância para a pecuária de corte.
O sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso trata desse momento no RS em seu livro Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, lançado em 1962 como resultado de sua tese de doutorado. "O novo período da economia rio-grandense foi, pois, o do gaúcho, do tropeiro, do militar, do antigo colono ou do administrador colonial - frequentemente uns e outros tipos sociais representados pelo mesmo homem - que se transformou em estancieiro", aponta FHC.
Em seu livro, o ex-presidente brasileiro reproduz uma passagem registrada pelo naturalista francês Auguste Saint-Hilaire que, em viagem pelo Estado por volta de 1820, pontuou quem eram os criadores de gado na província e como a atividade pastoril era realizada. "Os homens ricos desta Capitania são os possuidores de rebanhos, aos quais não dão cuidado algum e que se multiplicam facilmente", apontou.
Em contraposição ao modelo econômico sulista, a base da economia brasileira na época era a produção de café e de cana de açúcar. O charque gaúcho não era visto como um ativo importante por parte do poder central, tendo um papel significativo - o de alimentar os escravizados das lavouras de cana e fazendas de café do centro do País -, mas secundário.
Assim, a política econômica imperial atendia prioritariamente aos interesses de paulistas e mineiros, que desejavam pagar o menor preço possível pela carne que alimentaria os negros escravizados. A demanda gaúcha por mais protecionismo comercial tinha sentido, na medida em que o charque oriundo da Argentina e do Uruguai pagava pequenas taxas alfandegárias para ingressar no Brasil. Por outro lado, a carne produzida no RS era tributada até nas vendas para outras províncias do País. Esse foi o estopim para a guerra.
 

Notícias relacionadas