O Rio Grande do Sul sempre foi uma parte do território brasileiro que deu dor de cabeça ao Império, tanto antes quanto depois da independência proclamada em 7 de setembro de 1822. Fazendo divisa com a América espanhola (Argentina e Uruguai), a região fronteiriça vivia em estado de permanente tensão, com disputa pela posse da terra e invasões e confrontos fazendo parte do dia a dia dos que ali viviam.
Érico Veríssimo retratou bem esse cenário em seu livro O Continente, parte da trilogia O Tempo e o Vento. "Escuta o que vou lhe dizer, amigo. Nesta província a gente só pode ter como certo uma coisa: mais cedo ou mais tarde rebenta uma guerra ou uma revolução... Que é que adianta plantar, criar, trabalhar como um burro de carga? O direito mesmo era a nossa gente nunca tirar o fardamento do corpo nem a espada da cinta. O castelhano está aí mesmo. Hoje é Montevidéu. Amanhã, Buenos Aires. E nós aqui no Continente sempre acabamos entrando na dança."
Uma década antes dos acontecimentos de 1835, a região vivera uma guerra que deixou uma cicatriz permanente no Império brasileiro, resultando, em 1825, na separação da Província Cisplatina, que pertencia ao Brasil, e se tornou o independente Uruguai.
A separação ampliou o desgaste entre os estancieiros e charqueadores do RS e o império, que se via em meio a uma espécie de cabo de guerra que pendia fortemente para o lado dos paulistas e mineiros.