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Publicada em 15 de Julho de 2024 às 17:44

Setor elétrico gaúcho sugere ações para auxiliar na retomada do RS

Estado tem enorme potencial, principalmente, na área eólica

Estado tem enorme potencial, principalmente, na área eólica

ALEX ROCHA/PALÁCIO PIRATINI/JC
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Jefferson Klein
Jefferson Klein Repórter
Por ser um intenso gerador de empregos e renda, o segmento de energia é visto como uma ferramenta para ajudar o Rio Grande do Sul nesse momento de recuperação econômica e de infraestrutura. Com esse conceito em mente, o Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) e empresários do setor têm apresentado aos governos estadual e nacional propostas para incentivar essa atividade.
Por ser um intenso gerador de empregos e renda, o segmento de energia é visto como uma ferramenta para ajudar o Rio Grande do Sul nesse momento de recuperação econômica e de infraestrutura. Com esse conceito em mente, o Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) e empresários do setor têm apresentado aos governos estadual e nacional propostas para incentivar essa atividade.
Pelo Sindienergia-RS, a presidente da entidade, Daniela Cardeal, informa que está sendo elaborada a estratégia de que empresas do Rio Grande do Sul e o poder público adquiram energia renovável no ambiente do mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem vão comprar a geração) de novas usinas gaúchas. A dirigente comenta que o plano já foi apresentado para o Comitê de Reconstrução do Estado, para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e, em breve, também será exposta na Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul. No sábado (13), integrantes do Sindienergia-RS também mantiveram uma agenda oficial com o ministro da Reconstrução do Estado do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta.
“A gente sabe do grande potencial de projetos que estão aptos para começar a construção”, enfatiza Daniela. De acordo com o Sindienergia-RS, até 2040, com o aumento da demanda de energia, poderia se chegar ao acréscimo de 30 mil MW em empreendimentos de todas as fontes de energia no Estado. Isso representaria aproximadamente R$ 210 bilhões em novos investimentos, criação de 150 mil empregos e proporcionaria R$ 1,6 bilhão em tributos anuais.
Paralelamente a ação proposta pelo Sindienergia-RS, um grupo de empresas gaúchas também vêm sugerindo iniciativas que podem contribuir para o setor. O diretor da Integra Energia, João Ramis, acrescenta que, somente na energia eólica, cada MW instalado representa a criação de 30 a 40 empregos e um investimento de R$ 7 milhões. Ou seja, uma usina de 100 MW poderia significar em torno de 4 mil empregos em sua construção e R$ 700 milhões em aportes financeiros.
Ramis foi um dos empreendedores que assinaram documento endereçado recentemente ao ministro da Reconstrução do Estado do Rio Grande do Sul, ressaltando a construção de parques eólicos onshore (em terra) no Estado como instrumento de geração de energia limpa, emprego e renda e fomento da indústria. Entre as solicitações feitas ao governo federal para incentivar o setor constam a realização de leilão regional de energia, aplicação do chamado sinal locacional e criação de um mecanismo que dê condições semelhantes às iniciativas gaúchas que o Banco do Nordeste (BNB) permite aos empreendimentos dessa região do País.
“O Bndes, através dos nossos bancos regionais, pode ter uma linha especial com juros similares aos do Nordeste”, sustenta Ramis. Ele recorda que o financiamento do Bndes também implica contrapartidas de investimentos em obras sociais e parte desses recursos pode ser aplicada em municípios atingidos pela catástrofe climática que assolou o Rio Grande do Sul.
Quanto ao sinal locacional trata-se do conceito de levar em conta, no momento da estipulação do custo da energia, a distância que as usinas estão dos principais centros de cargas. Quanto mais próximas, menor será o gasto com linhas de transmissão e as perdas técnicas. Já os leilões regionais seriam disputas, promovidas pelo governo federal, de compra e venda de energia para atender ao sistema elétrico interligado nacional e que tenham a participação de empreendimentos a serem implantados em determinada área (no caso, em território gaúcho).
Conforme o diretor da Integra Energia, há algumas circunstâncias que podem favorecer que os pleitos do Rio Grande do Sul sejam atendidos. Uma delas é a dificuldade de novos complexos eólicos no Nordeste fazerem suas conexões com o sistema elétrico brasileiro. Ou seja, essa limitação naquela região pode fazer com que usinas em outras partes do Brasil, com melhores condições para escoar sua produção, precisem ser construídas.

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